Previsão de Segurança Alimentar

Conflicto, seca e COVID-19 causam necessidades alimentares elevadas até Maio 2021

Outubro 2020 to Maio 2021

Outubro 2020 - Janeiro 2021

Fevereiro - Maio 2021

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Poderia ser pior sem a assistência humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Poderia ser pior sem a assistência humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa IPC para representar a classificação mais alta da IPC nas áreas de preocupação.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

Países com presença:
1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Países sem presença:
1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa IPC para representar a classificação mais alta da IPC nas áreas de preocupação.

As mensagens-chave

  • Actualmente, a insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) prevalece nas zonas afectadas pela seca na região sul de Moçambique e pelo conflito na província de Cabo Delgado, no norte do país. A assistência alimentar humanitária está planificada e poderá ser incrementada em Novembro, período após o qual a situação de “Estresse! (IPC Fase 2!) poderá prevalecer nas zonas afectadas pela seca na região sul até Maio de 2021. Por outro lado, a situação de Crise (IPC Fase 3) começará a emergir em Outubro no sul da província de Tete e norte da província de Manica como resultado de níveis de reservas de alimentos das famílias abaixo da média e ao seu limitado poder de compra, o que limitará o acesso aos alimentos. Muitas zonas afectadas pelo ciclone Idai em 2019 continuam a enfrentar insegurança alimentar aguda de “Estresse (IPC Fase 2).

  • Nas zonas urbanas e peri-urbanas, apesar de algum relaxamento das medidas de controlo da COVID-19 e reabertura da fronteira com a República da África do Sul, as famílias pobres continuam a enfrentar dificuldades para obtenção de alimentos e geração de renda suficientes devido às contínuas restrições ao funcionamento de pequenos negócios. Com estes níveis limitados de renda para a compra de alimentos nos mercados, as famílias urbanas e peri-urbanas pobres mais afectadas estão em situação de Crise (IPC Fase 3).

  • A assistência alimentar humanitária está em curso e poderá continuar até pelo menos Março de 2021. A maior parte da assistência poderá ser direccionada aos deslocados internos em Cabo Delgado, famílias afectadas pela seca nas regiões sul e centro, e famílias em recuperação dos impactos do Ciclone Idai. No entanto, a assistência actual e planificada para os deslocados internos poderá ser insuficiente para a satisfação das suas necessidades devido ao contínuo fluxo de famílias deslocadas. A assistência humanitária poderá melhorar a situação para “Estresse! (IPC Fase 2!) nas zonas afectadas pela seca. Estima-se que a assistência alimentar actual cubra menos da metade das necessidades de assistência alimentar estimadas pela FEWS NET de Novembro de 2020 a Março de 2021, e algumas famílias poderão permanecer em situação de Crise (IPC Fase 3).

  • Excepto nas zonas de conflito, onde as famílias afectadas abandonaram as suas actividades agrícolas típicas, espera-se uma época agrícola 2020/2021 favorável em todo o país. A preparação da terra começou em grande parte do sul e partes do centro de Moçambique depois das primeiras chuvas no início de Outubro. No entanto, a precipitação acumulada ainda é insuficiente para uma sementeira plena, e a maioria das famílias rurais aguarda as chuvas de Novembro para começar a sementeira sazonal. Com a previsão de precipitação normal para grande parte do país, as actividades agrícolas, incluindo o trabalho agrícola, deverão ocorrer em níveis normais, excepto em zonas de conflito onde a prática da actividade agrícola estará muito abaixo da média.

PANORAMA NACIONAL

 

Situação Actual

A produção da época 2019/2020 nas zonas afectadas pela seca esteve acima de 50 por cento abaixo da média, confirmada pelos informantes chave de campo e o Índice de Satisfação das Necessidades Hídricas (WRSI), que mostra um fracasso generalizado da produção nas zonas afectadas pela seca no sul e no centro. A maioria das famílias pobres tem poucas ou não possui quaisquer reservas de alimentos e depende do mercado, uma vez que a maioria não conseguiu a produção da segunda época devido à baixos níveis de humidade do solo. Não tendo conseguido repor as suas reservas alimentares, muitas famílias pobres dependem de compras no mercado desde Março/Abril, muito mais cedo do que o normal, com o número de famílias dependentes do mercado a crescer gradualmente de Março/Abril a Outubro. Nas zonas rurais, a renda proveniente do auto emprego, uma fonte importante de renda para as famílias mais pobres, é limitada devido à crescente concorrência e falta de demanda das zonas urbanas e peri-urbanas, onde as medidas de controlo da COVID-19 afectaram principalmente a renda das famílias urbanas. Nas zonas afectadas pela seca, o risco de insegurança alimentar das famílias registou um agravamento nos últimos anos uma vez que muitas famílias perderam seus bens de formas de vida durante a seca severa ligada ao El Niño de 2016 e tiveram poucas possibilidades de se recuperarem totalmente devido às secas subsequentes. Devido à falta de infraestruturas e fraco acesso ao mercado, poucas famílias pobres geraram renda adicional com a venda de animais (principalmente galinhas) ou carvão. Actualmente, a maioria das famílias pobres tem adoptado estratégias de sobrevivência indicativas de “Estresse” (IPC Fase 2) e Crise (IPC Fase 3), incluindo a redução da frequência e quantidade das refeições, compra de alimentos mais baratos, empréstimos de dinheiro e alimentos de familiares e amigos ricos e consumo excessivo de alimentos menos preferidos, incluindo alimentos silvestres que podem causar problemas de saúde quando forem excessivamente consumidos. As famílias mais afectadas emigram em busca de melhores oportunidades de trabalho ocasional, incluindo a queima e venda de carvão ao longo dos principais corredores comerciais, mas o aumento da concorrência tem estado a limitar os níveis de renda.

Nas zonas afectadas pela seca do centro do país, incluindo o sul da província de Tete e partes do norte da província de Manica, mais famílias pobres começam a enfrentar défices no consumo de alimentos na sequência do fracasso da época agrícola 2019/2020, embora a situação de “Estresse” (IPC Fase 2) ao nível local ainda se faz presente. As famílias mais pobres estão sem reservas de alimentos desde Maio e dependem de compras no mercado. Os preços dos alimentos básicos estão acima da média devido à oferta do mercado abaixo da média. As famílias estão a intensificar as actividades de auto emprego; no entanto, devido ao aumento da concorrência, a renda proveniente destas actividades está significativamente abaixo da média, resultando em um poder de compra abaixo da média.

As famílias com acesso às zonas baixas com humidade residual suficiente tiveram produção da segunda época (principalmente hortícolsa) de Abril a Setembro. No entanto, houve um envolvimento limitado em todo o país devido à cessação prematura da precipitação durante a estação chuvosa de 2019/2020, excepto em áreas irrigadas. As famílias com acesso à segunda época estabilizaram ou complementaram o seu consumo de alimentos durante um curto período de tempo; no entanto, a produção (principalmente de hortícolas) é consumida imediatamente uma vez que normalmente não é armazenada. Assim sendo, a produção da segunda época se esgota em grande parte do país, excepto em áreas irrigadas onde a produção e o consumo são contínuos.

De acordo com o Ministério da Saúde, até 31 de Outubro de 2020, Moçambique tinha registado 12.869 casos confirmados da COVID-19 e 92 mortes relacionadas com a pandemia. A cidade de Maputo registou um rápido aumento nos casos confirmados, sendo responsável por cerca de 50 por cento de todos os testes positivos e 74 por cento do total de mortes ocorridos a nível nacional. Cerca de 87 por cento das hospitalizações cumulativas provêm da cidade de Maputo. O rápido aumento de casos confirmados tem aumentado a preocupação das autoridades de saúde de que as camas hospitalares disponíveis para casos intensivos possam atingir a sua capacidade máxima.

Moçambique permanece sob Estado nacional de Calamidade Pública e em nível de alerta vermelho. O país continua a observar medidas gerais de segurança, incluindo o uso obrigatório de máscaras, distanciamento social, encerramento de bares e barracas informais de venda e consumo de bebidas alcoólicas e redução do horário de funcionamento dos mercados. Como forma de reanimar a economia, o governo retomou gradualmente algumas actividades, mas, no geral, estas actividades têm pouco ou nenhum impacto nas economias das famílias pobres mais afectadas pelos impactos indirectos da pandemia da COVID-19.

As famílias pobres, especialmente nas zonas urbanas e peri-urbanas, continuam a enfrentar dificuldade em obter alimentos e renda suficientes. Muitas continuam a não conseguir fazer os seus pequenos negócios habituais e trabalho ocasional devido às restrições impostas pelo governo. As famílias de baixa renda, especialmente os seus membros mais jovens, têm desafiado as autoridades, envolvendo-se em pequenos negócios ou buscando oportunidades diárias de geração de renda nos mercados. Outras famílias começaram a desenvolver pequenas hortas em zonas baixas ou têm enviado seus membros para ficarem com familiares em melhores condições ou familiares nas zonas rurais.

Através do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), o governo projecta prestar selectivamente apoio humanitário básico às famílias urbanas. No geral, as famílias pobres urbanas continuam a enfrentar dificuldades para a satisfação das suas necessidades alimentares através de compras no mercado, com as famílias pobres mais afectadas a enfrentarem insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3).

Após a retomada dos movimentos transfronteiriços autorizados na África do Sul, o posto fronteiriço de Ressano Garcia com aquele país foi reaberto ao público no dia 1 de Outubro depois de seis meses de restrições. No entanto, para sua travessia os viajantes devem apresentar um teste de COVID-19 negativo. O acesso limitado e os preços elevados dos testes da COVID-19 têm limitado o número de pessoas que atravessam a fronteira, especialmente as do sector informal.

As tendências dos preços do milho variaram em Setembro, com os preços a aumentarem sazonalmente na ordem de 6-20 por cento na maioria dos mercados monitorados. No entanto, nos mercados de Maputo, Chókwe, Massinga e Mutarara, os preços têm permanecido atipicamente estáveis ou baixaram na ordem de 5-16 por cento, uma tendência atípica que provavelmente será uma forma de compensar o declínio menos acentuado observado no período pós-colheita. Em Setembro, as tendências dos preços do milho variaram em comparação com 2019 e estiveram na ordem de 13-48 por cento acima da média de cinco anos. Os preços do milho permaneceram consistentemente acima da média de cinco anos nos últimos anos, após sucessivos aumentos na sequência de choques múltiplos, incluindo ciclones, cheias, secas e conflitos que afectaram a produção. Como é típico, os preços da farinha de milho e do arroz permaneceram estáveis em Setembro. Os preços da farinha de milho e do arroz mantiveram-se estáveis face aos preços de 2019 e à média de cinco anos, excepto no mercado de Pemba. O mercado de Pemba, localizado na província de Cabo Delgado, tem-se mantido consistentemente com preços elevados da farinha de milho devido ao aumento da procura, uma vez que o conflito em Cabo Delgado teve impacto na produção local de milho.

O conflito em curso no norte e centro de Moçambique, especificamente no nordeste de Cabo Delgado e partes das províncias de Manica e Sofala, está a obrigar milhares de pessoas a abandonarem as suas zonas de origem. Em Cabo Delgado, os ataques de insurgentes têm se registado há cerca de três anos, afectando principalmente os distritos de Palma, Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia, Quissanga e Nangade. Com o aumento da intensidade dos ataques, o deslocamento das pessoas das zonas afectadas aumentou rapidamente, bem como a necessidade de assistência humanitária. No entanto, a informação sobre a magnitude da dispersão e condições de segurança alimentar permanece escassa em algumas zonas devido à falta de acesso como resultado do conflito.

As autoridades governamentais estimam que mais de 435 mil pessoas foram deslocadas, mas este número poderá vir a subir uma vez que mais pessoas continuam a fugir das zonas afectadas pelo conflito. A insegurança está a fazer com que milhares de pessoas procurem abrigo em locais mais seguros, nomeadamente na cidade de Pemba, distritos de Metuge, Mueda, Mecúfi, Chiúre e Ancuabe, e nas províncias vizinhas de Nampula, Niassa e Zambézia. Um pequeno número de deslocados internos se refugiou em locais mais distantes noutras províncias do país. Cumulativamente a cidade de Pemba recebeu cerca de 100 mil pessoas, aproximadamente 50 porcento da sua população total segundo o censo de 2017 (200.529 pessoas). As autoridades municipais de Pemba têm trabalhado no sentido de re-encaminhar os deslocados internos para os distritos vizinhos tais como Metuge, Mecúfi e Ancuabe, devido à indisponibilidade de recursos em Pemba. Os deslocados internos estão sendo alojados em 13 centros de acomodação geridos pelo governo, incluindo na zona centro, enquanto outros vivem com familiares ou assentamentos informais à espera de serem encaminhados para um centro de acomodação ou reassentamento. Actualmente, a maioria dos deslocados internos depende da assistência humanitária ou de pessoas de boa vontade para a sua alimentação. O plano operacional do Programa Mundial de Alimentação (PMA) para Cabo Delgado, tem vindo a sofrer ajustes de acordo com a evolução da situação e recursos disponíveis, estando actualmente a cobrir cerca de 80 por cento das necessidades alimentares básicas de uma família de cinco pessoas durante 30 dias. Nas zonas afectadas pelo conflito, a interrupção das actividades de subsistência deverá estar a gerar défices no consumo de alimentos ou a aumentar o recurso às estratégias de sobrevivência negativas. Há relatos anedóticos de famílias que enfrentam défices maiores no consumo de alimentos a curto prazo enquanto abandonam as suas zonas de origem para as zonas de refúgio. Por outro lado, as mesmas zonas de conflito têm sido afectadas pela cólera desde Fevereiro, e até 27 de Outubro de 2020, Cabo Delgado tinha o quarto maior número de casos da COVID-19 confirmados em Moçambique e uma taxa de positividade cumulativa de 6,6 por cento.

No centro de Moçambique, os ataques perpetrados pela chamada Junta Militar da RENAMO são cada vez mais frequentes, tendo como alvo viaturas particulares, camiões de carga e autocarros de passageiros, criando um clima de medo entre as populações rurais. Devido à insegurança e impossibilidade de se envolverem nas suas actividades diárias, um número cada vez maior de deslocados internos no centro de Moçambique não consegue satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas. Em meados de Setembro, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) estimou que em Manica havia cerca de 5.500 deslocados internos nos centros de acomodação do governo, principalmente das províncias de Manica e Sofala. As famílias pobres deslocadas pelos conflitos no norte e centro de Moçambique poderão enfrentar insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3).

A maioria destas famílias é constituída por deslocados sem acesso às suas actividades típicas de subsistência e meios de produção, o que limita o seu acesso aos alimentos e renda. A assistência humanitária em curso ajuda os beneficiários para que não transitem para piores cenários, mas devido à complexidade do conflito e ao rápido aumento das necessidades dos deslocados internos nas últimas semanas, os resultados de Crise (IPC Fase 3) ao nível local prevalece. Nas zonas afectadas pelo conflito inacessíveis, algumas das famílias mais afectadas que perderam as suas casas e seus bens enfrentam défices no consumo de alimentos ou aumento da necessidade de recorrência às estratégias de sobrevivência negativas indicativas de Emergência (IPC Fase 4). No entanto, a informação permanece extremamente limitada e seria difícil afirmar com segurança se algumas famílias estão a enfrentar tais situações severas. No entanto, não há evidências que possam sugerir que haja insegurança alimentar aguda de Emergência (IPC Fase 4) ao nível de classificação de área. As zonas afectadas pelo conflito no centro de Moçambique provavelmente enfrentam insegurança alimentar aguda de “Estresse” (IPC Fase 2), uma vez que a maioria das famílias pobres possui poucas reservas de alimentos e acesso limitado aos mercados ou oportunidades de trabalho agrícola e auto emprego.

A análise IPC da Desnutrição Aguda (AMN) de Maio de 2020 nas províncias de Tete e Cabo Delgado registou Desnutrição Aguda Global (GAM), Z-score de peso para altura (WHZ), aceitável (GAM <5%) nos distritos de Mágoe e Mutarara; enquanto os distritos de Ibo, Cahora Bassa e Chiúta tiveram a classificação de alerta (GAM 5-9,9%). Os distritos de Namuno e Marávia tiveram a classificação de alerta (GAM MUAC 5-9,9%) e grave (GAM MUAC 10-14,9%), respectivamente. De Abril a Novembro de 2020, a projecção da desnutrição aguda foi de uma transição para grave (GAM 10-14,9%) em Ibo, Namumo e Máravia e para alerta (GAM 5-9,9%) em Chiúta, Mágoe e Mutarara. Em Cahora Bassa, esperava-se que a desnutrição aguda transita-se para grave (GAM 10-14,9%) em Outubro. A deterioração da situação nutricional foi impulsionada principalmente pela redução projectada no acesso aos alimentos devido à produção agrícola abaixo da média, particularmente em Cahora Bassa, Mágoe e Mutarara, na Província de Tete, e os impactos do conflito em curso no distrito do Ibo, na Província de Cabo Delgado, afectando a alimentação, água e acesso aos centros de terapia nutricional. Factores sazonais tais como a deterioração das práticas de cuidados à criança e mulheres durante a sementeira em Outubro/Novembro e a eclosão de doenças sazonais tais como malária e diarreia em Outubro também contribuem para o aumento da desnutrição aguda. A utilização dos serviços de saúde já era baixa antes da COVID-19 e contribuiu para ocorrência de resultados nutricionais fracos, e o medo de contrair a doença levou a uma redução ainda maior na procura dos serviços de saúde.

Pressupostos

O cenário mais provável de Outubro de 2020 a Maio de 2021 é baseado nos seguintes pressupostos a nível nacional:

  • As previsões disponíveis através de USGS e NOAA indicam que as condições de La Niña poderão continuar em Março, Abril até Maio de 2021. O Dipolo do Oceano Índico (IOD) é actualmente negativo e poderá permanecer até Março de 2021. Com base nestes factores climatéricos, prevê-se uma precipitação cumulativa média de Outubro de 2020 a Março de 2021. Espera-se que se registe um número quase médio de ciclones durante o período do cenário.
  • Espera-se que o nível de disponibilidade nacional de água seja média para acima da média. Os rios e barragens em todo o país serão bem abastecidos em níveis médios a acima da média, excepto na região sul onde, devido a três anos consecutivos de seca, as barragens poderão não atingir os seus níveis normais. A probabilidade de ocorrência de cheias durante o período do cenário é média para acima da média.
  • Condições de cultivo favoráveis são prováveis nas principais zonas produtivas na época agrícola 2020/21. Como tem sido típico, há também um potencial de ocorrência de danos em culturas causados por pragas e doenças, incluindo a lagarta do funil de milho (LFM), gafanhotos e roedores, embora as chuvas normais a acima do normal possam ajudar a reduzir substancialmente o nível das infestações.
  • De acordo com as estimativas nacionais do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), a produção de cereais, leguminosas e tubérculos aumentou 7.8, 7 e 13 por cento, respectivamente, na época agrícola 2019/2020 em comparação com 2018/2019 e a média de cinco anos. Prevê-se que as importações de cereais, principalmente o milho, serão inferiores às do ano passado; entretanto, quase todo o trigo nacional e quase 50 por cento das necessidades nacionais em termos do arroz poderão ser cobertas através de importações.
  • Espera-se que os fluxos comerciais de alimentos básicos ocorram normalmente, mas em volumes abaixo da média, ao longo de algumas rotas nas regiões centro e sul devido à redução da produção agrícola na época 2019/2020. Como tem sido típico, os mercados das regiões centro e norte serão abastecidos principalmente do milho proveniente dos distritos locais ou vizinhos. Em partes de Cabo Delgado, o fluxo de produtos alimentares será limitado devido ao conflito armado. Embora os preços dos produtos importados e processados, tais como arroz e farinha de milho, possam permanecer mais estáveis do que os preços do grão, haverá variações de curto prazo com base na oferta localizada e dinâmica da demanda.
  • O comércio informal transfronteiriço com a África do Sul e Malawi deverá estar abaixo da média, em parte devido às medidas de contenção da COVID-19 que limitam a travessia da fronteira e produção favorável prevista em 2020/2021. A curto prazo, a impossibilidade dos comerciantes de transportarem produtos alimentícios além fronteira com os países vizinhos poderá continuar a afectar os preços no mercado, particularmente para produtos alimentícios tais como batata, cebola, ovos, tomate, óleo de cozinha, frango congelado e vários outros produtos processados importados, principalmente da África do Sul, pelo sector informal para zonas urbanas e peri-urbanas. As exportações moçambicanas de milho para o Malawi deverão continuar em níveis abaixo da média, na sequência da produção acima da média da época 2019/20 naquele país vizinho. O comércio com o Zimbabwe poderá permanecer normal ou ligeiramente acima do normal devido ao aumento de compradores zimbabweanos que cruzam a fronteira para comprar principalmente alimentos processados em Moçambique. 
  • A reabertura de algumas fronteiras pelas autoridades sul-africanas pode resultar em um aumento gradual no movimento de pessoas e bens, particularmente no sector informal. No entanto, o impacto sobre a renda e o volume das remessas dependerá do comércio e das oportunidades de emprego na África do Sul. Geralmente, prevê-se que as deportações de emigrantes ilegais moçambicanos continuem ao longo do período do cenário, reduzindo a potencial renda dos emigrantes afectados e das suas famílias.
  • Prevê-se que os preços do milho no mercado nacional de referência de Gorongosa aumentem gradualmente, atingindo o pico em Janeiro/Fevereiro de 2021 (Figura 1). Os preços deverão permanecer na ordem de 30 por cento e 15 por cento acima da média de cinco anos e dos preços do ano passado, respectivamente. Para a farinha de milho e arroz, os preços deverão permanecer relativamente estáveis ao longo de todo o período do cenário. Embora os preços dos produtos importados e processados, tais como arroz e farinha de milho possam permanecer mais estáveis em relação aos preços dos produtos não processados, porém, haverá variações de curto prazo com base na oferta localizada e dinâmica da demanda.
  • Antes do início das chuvas, o pasto deverá permanecer abaixo da média na região sul e partes da região centro. As condições físicas dos animais, especialmente do gado bovino, continuarão a se deteriorar de forma típica. Com o início da estação chuvosa, o pasto poderá melhorar gradualmente até os níveis normais. As condições físicas dos animais melhorarão gradualmente com a disponibilidade do pasto em Novembro/Dezembro. No entanto, nas zonas semiáridas do sul, a disponibilidade de água e pasto poderá permanecer abaixo da média, embora com algumas melhorias em comparação com a estação seca. Os preços dos animais poderão permanecer próximos da média devido às projectadas condições físicas médias dos animais.
  • A disponibilidade de alimentos silvestres permanecerá abaixo da média até o início das chuvas, particularmente nas zonas semiáridas do sul, mas retornará à disponibilidade quase normal de Dezembro de 2020 a Maio de 2021. A disponibilidade de alimentos verdes deverá ser atempada e próxima do normal em todo o país.
  • Com base na informação disponível, a pandemia da COVID-19 deverá continuar durante o período do cenário. Prevê-se que os incidentes de transmissão comunitária continuem ao longo do período do cenário, particularmente nas zonas urbanas e peri-urbanas. Embora se preveja que os impactos sejam mínimos nas zonas rurais, um provável aumento nos casos da COVID-19 poderá afectar a renda obtida através da venda de animais e bens para famílias médias e ricas devido ao poder de compra reduzido das zonas urbanas.
  • Nas zonas urbanas e peri-urbanas, espera-se que a renda das famílias pobres proveniente de negócios formais e informais continue a ser drasticamente reduzida e o desemprego deverá continuar alto devido aos impactos das medidas de controle da COVID-19 sobre a actividade económica. Com a continuação do Estado de Calamidade Pública, o governo poderá continuar a exigir a implementação das medidas de prevenção tais como uso de máscaras em público, distanciamento social e redução do número de pessoas autorizadas a trabalhar nos postos de trabalho.
  • Nas zonas rurais, espera-se que as oportunidades de trabalho agrícola sejam quase normais em todo o país. No entanto, as famílias pobres poderão, pelo seu trabalho, serem pagos após a colheita em espécie, dinheiro e outras modalidades de pagamento, nas zonas afectadas pelos choques. De Outubro de 2020 a Abril de 2021, a migração para os centros urbanos em Moçambique poderá baixar, uma vez que a maioria das famílias rurais se envolve em actividades agrícolas neste período.
  • Até o início da estação chuvosa, a maioria das famílias rurais poderá continuar ou aumentar o seu envolvimento em actividades típicas de geração de renda e auto emprego; entretanto, nas zonas afectadas por choques, a renda auferida poderá estar abaixo da média devido ao aumento da concorrência e baixa demanda dos centros urbanos. Com o início das chuvas, espera-se que as famílias comecem a se envolver no trabalho agrícola; no entanto, para obter alguma renda para compras no mercado, espera-se que as famílias se envolvam no trabalho agrícola e actividades de auto emprego.
  • Com a pandemia da COVID-19 em curso, a procura internacional de mercadorias diminuiu, forçado a baixa de preços nos produtos tais como energia e metais. Os preços previstos para as principais fontes de receita proveniente da exportação de Moçambique deverão permanecer abaixo da média durante 2020 e início de 2021 e poderão levar vários anos para se recuperarem aos respectivos níveis de 2018 ou 2019. Estas receitas de exportação reduzidas, combinadas com reduções em outras fontes importantes de renda do governo (por exemplo, turismo), poderão resultar na depreciação do Metical, a moeda nacional, em relação ao Dólar americano no restante de 2020 e no primeiro semestre de 2021.
  • No norte e centro de Moçambique, os conflitos em curso poderão romper o início das actividades agrícolas nas zonas afectadas. A insegurança poderá persistir nas partes do norte de Cabo Delgado, e um número cada vez maior de famílias poderá abandonar as suas zonas durante o período da projecção. A curto prazo, algumas famílias dependem do apoio de familiares nas zonas mais seguras, mas tal não deverá durar nos níveis actuais durante todo o período da projecção devido à falta de capacidade de apoio. As famílias que perdem apoio poderão depender da assistência alimentar humanitária.
  • O PMA continuará a prestar assistência alimentar humanitária com base no seu plano provável e inicial já financiado de Outubro de 2020 a Março de 2021, que cobre a nível nacional 705.835 pessoas em Outubro, 861.135 pessoas em Novembro e 725.535 pessoas de Dezembro de 2020 a Março de 2021. No entanto, este plano está sujeito a alterações de acordo com a disponibilidade de recursos adicionais e o redireccionamento de prioridades. Outras organizações humanitárias projectam iniciar a assistência, principalmente com foco nas necessidades descritas no relatório da análise de IPC do SETSAN esperado em Novembro de 2020. A assistência humanitária poderá se concentrar na assistência alimentar, tratamento da desnutrição, actividades de WASH e educação das comunidades sobre a segurança e o tratamento da COVID-19.

Resultados de Segurança Alimentar Mais Prováveis

De Outubro de 2020 a Janeiro de 2021, nas zonas afectadas pela seca do sul e centro, a insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) poderá emergir no sul da província de Tete, sul e norte da província de Manica, e poderá persistir nas zonas afectadas pela seca no sul de Moçambique com o início da época de escassez. No entanto, a assistência alimentar humanitária poderá levar à situação de “Estresse! (IPC Fase 2!) na maior parte da região sul. Com o início da época de escassez em Outubro, as famílias pobres nas zonas afectadas pela seca, devido à falta de renda, começarão a intensificar as estratégias de sobrevivência tais como redução da frequência das refeições e quantidade de alimentos e consumo excessivo de alimentos silvestres. As oportunidades de trabalho agrícola deverão aumentar com o início da estação chuvosa em Outubro/Novembro, mas a renda poderá estar abaixo da média até a colheita prevista em Abril de 2021. As chuvas sazonais criarão condições favoráveis para o surgimento de vários alimentos silvestres e sazonais, os quais contribuirão para o aumento do consumo de alimentos para as famílias pobres. No entanto, as famílias pobres que não recebem assistência alimentar humanitária poderão continuar com um consumo de alimentos abaixo das suas necessidades mínimas até o início da colheita em Abril.

No nordeste de Cabo Delgado, a situação de Crise (IPC Fase 3) poderá persistir apesar da melhoria dos impactos da assistência alimentar humanitária aos beneficiários. O aumento do fluxo de famílias deslocadas nos leva a concluir que a actual assistência alimentar humanitária planificada será insuficiente para satisfazer as necessidades existentes. Nas áreas inacessíveis afectadas por conflitos, a situação de Crise (IPC Fase 3) poderá persistir, e o conflito deverá continuar, aumentando o número de pessoas deslocadas que perdem acesso às suas actividades típicas de subsistência e oportunidades de geração de renda. Espera-se que nestas zonas, algumas famílias mais afectadas que perderam suas casas e seus bens e que enfrentam dificuldades de fugir para zonas seguras, continuem a enfrentar maiores défices de consumo de alimentos indicativos de Emergência (IPC Fase 4). No entanto, espera-se que a população nesta situação permaneça relativamente baixa e a classificação ao nível de área permanecerá de Crise (IPC Fase 3).

Nas zonas urbanas e peri-urbanas, particularmente para as famílias pobres mais afectadas, a situação de Crise (IPC Fase 3) poderá prevalecer, uma vez que a capacidade das famílias se envolverem em trabalho ocasional e pequenos negócios para a obtenção de renda permanece abaixo da média. O resto do país enfrentará insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1) ou de “Estresse” (IPC Fase 2).

Entre Fevereiro e Maio de 2021, o período de escassez terminará com o início da colheita em Abril. Durante os meses de Fevereiro e Março, as famílias pobres provavelmente continuarão a expandir as suas formas de vida e estratégias de sobrevivência para a satisfação das suas necessidades alimentares, particularmente nas zonas afectadas pela seca. A disponibilidade da colheita verde a partir de Fevereiro na região sul e em Março na região centro deverá melhorar gradualmente o consumo de alimentos entre as famílias pobres. A assistência alimentar humanitária planificada para estas zonas desempenhará um papel importante e continuará a melhorar a situação de insegurança alimentar para “Estresse! (IPC Fase 2!), enquanto as zonas com menos assistência alimentar humanitária continuarão a enfrentar a situação de Crise (IPC Fase 3). A partir de Abril, com acesso aos alimentos da colheita principal, a maioria das famílias pobres transitará gradualmente de Crise (IPC Fase 3) para “Estresse” (IPC Fase 2) ou Nenhuma insegurança alimentar aguda (IPC Fase 1), dependendo da gravidade da sua insegurança alimentar anterior. Nas zonas afectadas pelo conflito, particularmente em Cabo Delgado, as famílias pobres deverão continuar a enfrentar insegurança alimentar de Crise (IPC Fase 3) devido à impossibilidade de as famílias realizarem adequadamente as suas actividades agrícolas normais da época 2020/21.

À medida que o conflito continua e o número de pessoas deslocadas continua a aumentar, as zonas com assistência alimentar humanitária substancial enfrentarão uma situação de “Estresse!” (IPC Fase 2!). As famílias mais afectadas nas áreas inacessíveis afetadas pelo conflito, poderão continuar a enfrentar maiores défices de consumo de alimentos indicativos de de Emergência (IPC Fase 4). Nas zonas urbanas e peri-urbanas, espera-se que as restrições permaneçam e continuem a limitar a capacidade das famílias de baixa renda de ganhar a sua normal renda diária. A situação de Crise (IPC Fase 3) poderá continuar entre as famílias mais afectadas.

A nível nacional, espera-se que a desnutrição aguda se deteriore de aceitável (GAM <5%), medida pelo Z-score de peso para altura (WHZ), para fraca (GAM 5-9,9%) ou grave (GAM 10-14,9%) até Fevereiro de 2021 como resultado da redução do acesso aos alimentos durante a época de escassez, aumento da ocorrência de doenças de infância e a probabilidade de mudanças nas práticas alimentares à medida que mais famílias se envolvem em actividades de geração de renda. No entanto, a partir de Março de 2021, espera-se que o nível geral de emagrecimento do país melhore para aceitável (GAM WHZ <5%) como resultado do aumento do acesso aos alimentos após a colheita da época principal.

O governo, através do INGC, solicitou cerca de 7,2 bilhões de MZN (USD 99 milhões) para responder às necessidades de assistência para os projectados 800 mil deslocados internos de Cabo Delgado e da zona centro, mitigação dos impactos económicos da COVID-19, e em casos de ocorrência de cheias, ciclones/ventos fortes e secas, que podem afectar cerca de 1,4 milhão de pessoas. Cerca de 800 milhões de MZN (USD 11 milhões) já foram disponibilizados pelo orçamento de estado do governo e pelo Banco Mundial. Espera-se que os restantes 6,4 bilhões de MZN (USD 88 milhões) sejam mobilizados através dos parceiros de cooperação.

EVENTOS QUE PODEM ALTERAR A PERSPECTIVA

zona Evento Impacto na segurança alimentar
Nacional

Assistência alimentar humanitária muito abaixo das necessidades

Pode resultar na deterioração da situação nutricional das pessoas afectadas não cobertas e aumentar o número de pessoas em situação de Emergência (IPC Fase 4).
Aumento da assistência alimentar humanitária em Cabo Delgado O aumento da assistência alimentar humanitária em resposta ao aumento das necessidades poderá melhorar o acesso aos alimentos e levar à fase de “Estresse! (IPC Fase 2!) ao nível de área em Cabo Delgado.
Acesso limitado a sementes  As famílias pobres semearão áreas abaixo do planificado e perderão a oportunidade de aumentar as suas reservas de alimentos e renda através da venda da produção agrícola. 
Comerciantes não respondem pontualmente à demanda do mercado, e não há produtos adicionais a fluirem para as zonas deficitárias.

Os mercados locais ficariam sem oferta adequada, aumentando os preços dos alimentos. O acesso aos alimentos para famílias pobres dependentes do mercado seria mais difícil, particularmente nas zonas afectadas por choques como a seca.

O acesso reduzido ao mercado aumentaria os défices no consumo de alimentos entre as famílias pobres. 

Zonas Costeiras Ciclones e cheias nas zonas costeiras de Moçambique  O risco de ciclones e cheias vai até Março de 2021. As famílias mais afectadas pelas cheias provavelmente enfrentariam défices de alimentos até que se recuperassem através da produção pós-choque para além do período do cenário.

 

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Sobre O Desenvolvimento Do Cenários

Para projectar as condições de segurança alimentar ao longo de um período de seis meses, a FEWS NET desenvolve um conjunto de pressupostos sobre eventos prováveis, seus efeitos e as respostas prováveis de diversos actores. A FEWS NET analisa esses pressupostos, no contexto das condições actuais e formas de vida locais para desenvolver cenários estimando as condições de segurança alimentar. Normalmente, a FEWS NET reporta o cenário mais provável. Para saber mais, clique aqui.

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A Rede de Sistemas de AlertaPrecoce de Fome é líder na provisão de alertas precoces e análises relativas à insegurança alimentar. Estabelecida em 1985 com o fim de auxiliar os responsáveis pela tomada de decisões a elaborar planos para crises humanitárias, a FEWS NET provê análises baseadas em evidências em cerca de 35 países. Entre os membros implementadores refere-se a NASA , NOAA, USDA e o USGS, assim como a Chemonics International Inc. e a Kimetrica. Leia mais sobre o nosso trabalho.

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