Actualização da Perspectiva de Segurança Alimentar

Necessidades de assistência alimentar permanecem elevadas e poderão aumentar durante a próxima época de escassez

Agosto 2021

Agosto - Setembro 2021

Outubro 2021 - Janeiro 2022

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Poderia ser pior sem a assistência humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Poderia ser pior sem a assistência humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a IPC. A análise compatível com a IPC segue os protocolos fundamentais da IPC mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa IPC para representar a classificação mais alta da IPC nas áreas de preocupação.

Fases de Insegurança Alimentar Aguda baseadas em IPC v3.0

Países com presença:
1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Países sem presença:
1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa IPC para representar a classificação mais alta da IPC nas áreas de preocupação.

As mensagens-chave

  • Muitas áreas de Moçambique permanecem com insegurança alimentar Mínima (IPC Fase 1) ou “Estresse” (IPC Fase 2) à medida que as famílias vão tendo acesso as reservas de alimentos da colheita de 2020/2021. Nas zonas afectadas pelo conflito na província de Cabo Delgado, persiste a insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) uma vez que muitas famílias permanecem deslocadas e não têm acesso adequado aos alimentos e fontes de renda. Com o início da época de escassez em Outubro, mais zonas nas regiões sul e centro poderão enfrentar insegurança alimentar aguda de “Estresse” (IPC Fase 2), ao nível local com a redução sazonal das reservas de alimentos. Nas zonas urbanas e periurbanas, muitas famílias pobres poderão continuar em situação de “Estresse” (IPC Fase 2) uma vez que as medidas de contenção da COVID-19 têm limitando a sua participação em actividades típicas de subsistência, com a probabilidade das famílias mais vulneráveis estarem a enfrentar Crise (IPC Fase 3).

  • De acordo com o Plano de Resposta Humanitária para 2021 de Moçambique, cerca de 1,3 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária e protecção durante o ano de 2021, com mais de 900 mil pessoas prováveis em Cabo Delgado, Niassa e Nampula. As famílias nas zonas afectadas pelo conflito de Cabo Delgado poderão enfrentar uma situação de insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) uma vez que a insegurança naquela província perturba os mercados locais levando a um aumento do custo dos alimentos e bens domésticos. Em Julho e Agosto, a assistência alimentar humanitária cobriu cerca de 854 mil deslocados internos em Cabo Delgado e Nampula. Devido à falta de financiamento, o PMA forneceu apenas um pacote completo de alimentos em Julho para cobrir as necessidades de assistência alimentar até Agosto e, como resultado, os beneficiários receberam alimentos equivalentes a cerca de 39 por cento de quilocalorias diárias durante dois meses. O PMA anunciou que seria possível disponibilizar mais um pacote completo de alimentos em Setembro para cobrir as necessidades de assistência alimentar até Outubro, e como resultado os deslocados internos continuariam a receber alimentos equivalentes a cerca de 39 por cento de quilocalorias diárias.

  • No início de Agosto, o número de casos confirmados da COVID-19 reduziu de um pico médio semanal de cerca de 1.900 casos diários para uma média semanal de 440 casos diários até 29 de Agosto. No início de Agosto, o governo lançou uma campanha de vacinação em massa contra a COVID-19. De acordo com o governo, até 27 de Agosto, cerca de 6 por cento da população de Moçambique havia tomado pelo menos uma dose da vacina. Em 27 de Agosto de 2021, o governo reduziu o nível de alerta de quatro para três e estendeu as medidas de controle da pandemia por mais 30 dias. As medidas de contenção da COVID-19 continuam a ter um impacto negativo principalmente nas famílias pobres urbanas e periurbanas que dependem da renda proveniente de negócios informais, levando a uma situação de insegurança alimentar aguda de “Estresse”(IPC Fase 2) com a probabilidade de as famílias mais pobres e mais afectadas estejam a enfrentar insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3).

SITUAÇÃO ACTUAL

Em Moçambique, a maioria das famílias pobres está numa situação de “Nenhuma” (IPC Fase 1) insegurança alimentar aguda,como resultado da disponibilidade de reservas alimentares, preços dos alimentos sazonalmente baixos e colheita da produção pós-cheias e da produção de hortícolas da segunda época. No entanto, a situação de “Estresse” (IPC Fase 2) ao nível local está presente nas regiões centro e sul uma vez que as famílias pobres continuam a se recuperar de ciclones, cheias e secas anteriores. Em Cabo Delgado, a situação de Crise (IPC Fase 3) persiste uma vez que o conflito e a deslocação em massa das pessoas afectadas continuam a perturbar o acesso das famílias aos alimentos e às oportunidades típicas de geração de renda. Nas zonas inacessíveis, existe a preocupação de que as pessoas vulneráveis refugiadas nas matas como resultado do conflito ou mantidas reféns pelos insurgentes podem estar a enfrentar défices mais acentuadas no consumo de alimentos, indicativos de Emergência (IPC Fase 4).

Em Cabo Delgado, a intensificação da ofensiva governamental com o apoio de tropas estrangeiras resultou na retomada de terras outrora controladas pelos insurgentes, incluindo a cidade de Mocímboa da Praia. Embora algumas famílias estejam a regressar para as suas zonas de origem, a maioria dos deslocados internos não deverá retornar para suas casas durante o período do cenário. No final de Julho, o governo estimou que mais de 826 mil pessoas foram deslocadas na província de Cabo Delgado. Em Agosto, a Matriz semanal de Rastreamento de Deslocamentos da OIM reportou que cumulativamente entre 4 e 24 de Agosto, mais de 18.600 pessoas estiveram em movimento em Cabo Delgado - cerca de 52 por cento são crianças - com cerca de 18 por cento dos deslocados oriundos de Palma. Os deslocados internos também têm procurado refúgio em Nangade, Mueda, Muidumbe, Macomia e Cidade de Pemba. Aproximadamente 66 por cento dos deslocados internos reportaram ter sido deslocados pelo menos duas vezes, e 70 por cento dos deslocados reportaram viver com comunidades anfitriãs. Nas últimas três semanas, uma média de cerca de 6.200 deslocados internos são semanalmente reportados em movimento, indicando que as famílias continuam a deslocar-se em busca de segurança e melhor acesso aos alimentos e oportunidades de geração de renda. Em 24 de Agosto de 2021, a OIM estimou que mais de 101 mil deslocados internos provavelmente vivem na Cidade de Pemba e distritos de Mueda e Metuge, com 50 mil a 100 mil deslocados internos localizados nos distritos de Ancuabe, Montepuez e Nangade.

A insuficência de fundos tem sido um grande desafio para as agências humanitárias, particularmente no que diz respeito à resposta aos deslocados de Cabo Delgado. De acordo com o Plano de Resposta Humanitária 2021 do Grupo de Segurança Alimentar (FSC), estima-se que cerca de 1,3 milhões de pessoas necessitarão de assistência humanitária em 2021, concretamente nas províncias de Niassa, Cabo Delgado e Nampula. No norte de Moçambique, o conflito e os deslocamentos sucessivos, agravados por choques climáticos, interromperam as actividades agrícolas das comunidades e as oportunidades típicas de geração de renda. O FSC estimou que mais de 900 mil pessoas em Cabo Delgado, Niassa e Nampula enfrentam insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) ou pior cenário, enquanto as perturbações do mercado devido à insegurança aumentaram o custo dos alimentos e artigos domésticos. Em Julho de 2021, cerca de 854 mil deslocados internos receberam assistência alimentar humanitária em Cabo Delgado e Nampula. No entanto, o sub-financiamento e os desafios de acesso devido à insegurança estão a afectar os esforços de resposta humanitária. De acordo com o Serviço de Rastreamento Financeiro do OCHA, cerca de 36 por cento do programa de resposta humanitário foi financiado em Agosto de 2021. O FSC estima que 68 milhões de dólares são necessários para prestar assistência alimentar crítica e apoiar as actividades de subsistência até Novembro, particularmente através da distribuição de sementes e insumos agrícolas antes da época de sementeira principal, que começa em Outubro/Novembro de 2021. Por outro lado, o FSC e os parceiros humanitários alertam que cerca de 250 mil pessoas não receberão assistência para a restauração das suas formas de vida, perdendo a oportunidade de redução da insegurança alimentar e dependência de assistência humanitária na região. Em Julho, o PMA anunciou que estava disponibilizando alimentos equivalentes a um mês para necessidades alimentares até Agosto, reduzindo os pacotes mensais para cerca de 39 por cento de quilocalorias diárias devido à falta de financiamento. Em Setembro, uma única distribuição adicional de alimentos equivalentes a um mês será feita para durar até Outubro, o que significa que os deslocados internos continuarão a receber cerca de 39 por cento das quilocalorias diárias. No entanto, outros membros do FSC poderão continuar a fornecer assistência humanitária geral em alguns locais. Os líderes comunitários reportam que, devido à falta de renda e alimentos, as famílias se envolvem em estratégias de sobrevivência prejudiciais para minimizar os défices no consumo de alimentos, tais como a dependência de alimentos menos preferidos e mais baratos, redução do número e quantidade de refeições por dia, empréstimo de alimentos/dependência da ajuda de amigos e familiares, e limitação do consumo pelos adultos a favor das crianças.

Em Agosto de 2021, o PMA VAM-CBT publicou os resultados de uma avaliação de mercado e viabilidade de dinheiro realizada em Janeiro de 2021 nos distritos de Ancuabe, Chiúre, Metuge, Meluco e Montepuez da província de Cabo Delgado, com colaboração de várias partes envolvidas, incluindo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A avaliação teve como objectivo avaliar a funcionalidade e a capacidade do mercado de resposta ao aumento da demanda, verificar a viabilidade da assistência em dinheiro e mecanismos apropriados de transferência de dinheiro. No geral, a avaliação apresentou evidências do bom funcionamento dos principais mercados e a presença de provedores de serviços financeiros. Os mercados abrem diariamente e há uma grande variedade de vendedores a grosso e a retalho e não há nenhuma indicação de preocupações de segurança que possam pôr em causa a ida e volta dos mercados locais. No entanto, 25 a 70 por cento da população nos distritos de Chiure, Meluco, Metuge e Montepuez reportaram redução do número de refeições diárias, enquanto 20 a 60 por cento das famílias compram alimentos mais baratos. Com base em dados colhidos no terreno, as famílias continuam envolvidas em estratégias de sobrevivência indicativas de Crise (IPC Fase 3) para minimizar défices no consumo de alimentos.

No início de Agosto, a média semanal de casos diários da COVID-19 confirmados atingiu o pico de cerca de 1.900, antes de baixarem para uma média semanal de 440 casos diários confirmados em 29 de Agosto de 2021. Em 27 de Agosto de 2021, o governo reduziu o nível de alerta da COVID-19 de quatro para três e as medidas de mitigação foram estendidas por mais 30 dias. As novas medidas incluem a retomada das aulas presenciais, horário normal da administração pública, retorno ao recolher obrigatório a nível nacional das 22h às 4h, os centros comerciais podem funcionar das 9h às 18h de segunda a sábado e das 9h às 17h nos demais dias, restaurantes e serviços de entrega ao domicílio funcionam das 6h às 20h. A terceira fase do programa de vacinação contra a COVID-19 começou no início de Agosto, visando pessoas não vacinadas durante campanhas de vacinação anteriores, pessoas com 50 anos de idade ou mais e trabalhadores do ramo do transporte colectivo de passageiros. De acordo com o governo, até 27 de Agosto de 2021, cerca de 1,8 milhão de pessoas receberam pelo menos uma dose de vacina, aproximadamente 6 porcento da população nacional. As medidas de contenção da COVID-19 continuam a ter impactos negativos principalmente nas famílias pobres urbanas e periurbanas dependentes da renda de negócios informais, levando-as para a situação de “Estresse” (IPC Fase 2). Muitas famílias estão envolvidas em estratégias de sobrevivência tais como busca de apoio de amigos, familiares e vizinhos mais ricos, ou venda ilegal nas ruas e outras práticas ilícitas. As famílias mais pobres e afectadas, sem qualquer apoio, poderão enfrentar Crise (IPC Fase 3). Devido ao aumento do controle de fronteira, incluindo a recente activação do nível de Alerta 4 na África do Sul, a migração em busca de oportunidades de trabalho na África do Sul é cada vez mais difícil, com muitas pessoas frequentemente deportadas daquele país vizinho.

Em Moçambique, as famílias rurais estão envolvidas na segunda época agrícola (Abril a Setembro), que normalmente depende de humidade residual para cultivo principalmente de hortícolas. A produção de hortícolas da segunda época tem ajudado a estabilizar a segurança alimentar nas zonas baixas do sul do país, principalmente nas províncias de Maputo e Gaza, que sofreram inundações em Fevereiro após terem sido afectadas pela seca nos meses anteriores. No entanto, a humidade residual apresenta níveis muito abaixo da média na faixa oriental das províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, onde a segunda época é menos praticada. No geral, as hortícolas da segunda época estão disponíveis para consumo e venda nos mercados locais, ajudando a estabilizar a situação de “Estresse” (IPC Fase 2) em grande parte do país e disponibilizar alimentos complementares nas zonas que enfrentam insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1).

Em Julho, os preços do milho começaram a subir na maioria dos mercados monitorados após atingirem os preços pós-colheita típicos sazonalmente baixos em Junho e Julho. Na maioria dos mercados, os preços do milho aumentaram na ordem de 6 a 22 por cento. No entanto, os preços mantiveram-se estáveis ou baixaram ligeiramente nos outros mercados, o que pressupõe que o nível mais baixo para estes mercados tenha sido atingido em Julho. Em julho, os preços do milho na maioria dos mercados monitorados estavam entre 6 e 40 por cento abaixo de seus respectivos preços de 2020. No entanto, em Montepuez na província de Cabo Delgado, os preços do milho estiveram na ordem de 15 por cento acima do ano passado, enquanto os preços do milho em Maputo e Lichinga foram semelhantes aos preços de 2020.

Em comparação com a média de cinco anos, os preços do milho em Julho tiveram uma tendência mista, mas poderão subir até Janeiro/Fevereiro com a redução das reservas de alimentos e surgimento de mais famílias dependentes do mercado. Como é típico, os preços da farinha de milho mantiveram-se estáveis de Junho a Julho. As excepções incluem Chicualacuala e Tete, onde o preço da farinha de milho diminuiu 10 e 8 por cento, respectivamente, e Chókwe e Inhambane, onde o preço da farinha de milho aumentou 10 e 6 por cento, respectivamente. Os preços também tiveram uma tendência mista quando comparados aos preços de 2020 e à média de cinco anos. Da mesma forma, e como é típico, os preços do arroz permaneceram estáveis de Junho a Julho, excepto aumentos de 8 e 9 por cento verificados em Cuamba e Montepuez, respectivamente, e uma diminuição de 7 por cento em Chicualacuala. Os preços do arroz também tiveram uma tendência mista em relação aos preços do ano passado e à média de cinco anos. Embora os preços da farinha de milho e do arroz tendam a permanecer estáveis ao longo do ano, as flutuações mensais dos preços são impulsionadas pela oferta localizada e pela dinâmica da demanda.

 

PRESSUPOSTOS ACTUALIZADOS

No geral, os pressupostos usados para desenvolver o cenário mais provável da FEWS NET para a Perspectiva de Segurança Alimentar de Moçambique de Junho de 2021 a Janeiro de 2022 permanecem inalterados, excepto em relação ao seguinte:

  • No geral, os níveis de violência decorrentes da insurgência de Cabo Delgado (tanto em número de ataques e mortes) diminuíram desde o seu pico no segundo trimestre de 2020. Nos próximos meses, confrontos entre os insurgentes e a aliançã militar internacional liderada por Moçambique poderão continuar a ocorrer com frequência inalterada nas zonas remotas, enquanto a violência contra civis nessas zonas poderá diminuir. Embora alguns deslocados tenham começado a retornar às suas casas, a maioria dos deslocados não poderá retornar às suas zonas de origem devido ao medo de ataques pelos insurgentes.

RESULTADOS PROJECTADOS MAIS PROVÁVEIS ATÉ JANEIRO DE 2022

Em Agosto e Setembro, a maioria das famílias em Moçambique conseguirá satisfazer as suas necessidades alimentares e provavelmente estará com “Nenhuma” (IPC Fase 1) insegurança alimentar aguda. No entanto, em grande parte das zonas sul e centro, os efeitos dos choques anteriores em 2019, 2020 e início de 2021 poderão continuar a levar à insegurança alimentar aguda de “Estresse” (IPC Fase 2) ao nível local uma vez que as famílias se recuperam e conseguem satisfazer as suas necessidades de consumo, mas não se espera que muitas famílias consigam satisfazer as necessidades não alimentares devido ao seu acesso limitado à renda. Nas zonas afectadas pelo conflito em Cabo Delgado, a recente intensificação do conflito e redução dos níveis de assistência alimentar humanitária poderão aumentar o número de famílias que enfrentam Crise (IPC Fase 3) durante o período da projecção. A partir de Outubro, espera-se que a época de escassez comece, sendo um período em que normalmente muitas famílias pobres esgotam as suas reservas de alimentos e aumenta a sua dependência de compras de alimentos no mercado. Os preços dos alimentos básicos nos mercados locais poderão aumentar sazonalmente antes do pico em Janeiro/Fevereiro de 2022, limitando o acesso das famílias aos alimentos devido ao baixo poder de compra. A maioria das famílias começará a intensificar as suas estratégias típicas de sobrevivência para a satisfação das suas necessidades alimentares, incluindo redução de gastos com artigos não alimentares, compra de alimentos menos preferidos, suplementação da sua dieta com alimentos silvestres e aumento da sua dependência de compras no mercado. Com o início da época agrícola 2021/2022, as oportunidades de trabalho agrícola em Moçambique poderão aumentar a renda das famílias para níveis médios. Ainda assim, os preços dos alimentos básicos acima da média nos mercados locais poderão ter impacto negativo sobre o poder de compra das famílias, uma vez que as famílias se tornam mais dependentes de compras de alimentos no mercado. Algumas famílias muito pobres intensificarão a produção e venda de bebidas tradicionais, lenha e carvão vegetal, corte e venda de estacas ou palha para construção e buscarão trabalho informal para aumentar a sua renda. O início das chuvas entre Outubro e Dezembro poderá melhorar a disponibilidade de vários alimentos silvestres e sazonais que melhorarão gradualmente a disponibilidade de alimentos para as famílias pobres até a colheita verde em Fevereiro/Março de 2022. De Outubro de 2021 a Janeiro de 2022, a maior parte de Moçambique poderá continuar a enfrentar insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1) ou de “Estresse” (IPC Fase 2). Em Cabo Delgado, o conflito poderá continuar com uma frequência inalterada nas zonas remotas, enquanto a violência contra civis deverá diminuir. Embora alguns deslocados possam regressar para as suas casas, a maioria dos deslocados poderá permanecer deslocada e dependente do apoio das comunidades de famílias anfitriãs e de assistência humanitária. No entanto, o acesso limitado aos insumos para a próxima época agrícola 2021/2022 poderá aumentar a pressão sobre os recursos da resposta humanitária. Como resultado, a situação de Crise (IPC Fase 3) poderá continuar em Cabo Delgado até o final do período do cenário em Janeiro de 2022.

Acerca Deste Relatorio

Este relatório mensal cobre condições actuais assim como mudanças na perspectiva projectada sobre insegurança alimentar neste país. Actualiza a Perspectiva de Segurança Alimentar trimensal da FEWS NET. Mais informações sobre o nosso trabalho aqui.

About FEWS NET

A Rede de Sistemas de AlertaPrecoce de Fome é líder na provisão de alertas precoces e análises relativas à insegurança alimentar. Estabelecida em 1985 com o fim de auxiliar os responsáveis pela tomada de decisões a elaborar planos para crises humanitárias, a FEWS NET provê análises baseadas em evidências em cerca de 35 países. Entre os membros implementadores refere-se a NASA , NOAA, USDA e o USGS, assim como a Chemonics International Inc. e a Kimetrica. Leia mais sobre o nosso trabalho.

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