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- Não obstante a colheita em curso no norte de Moçambique, prevê-se Crise (IPC Fase 3) nas regiões afectadas pelo conflito em Cabo Delgado e no norte de Nampula, pelo menos até Janeiro de 2027, como resultado das incursões em curso de grupos armados não estatais (NSAGs), do deslocamento interno e da interrupção das formas de vida, o que faz com que as famílias enfrentem défices de consumo alimentar. As famílias pobres continuarão a registar níveis de disponibilidade de alimentos e renda abaixo da média, a depender de assistência, de pequenos negócios e do apoio de familiares, e a recorrer a estratégias negativas de sobrevivência, tais como saltar e reduzir o a quantidade das refeições. Prevê-se insegurança alimentar aguda de "Estresse!" (IPC Fase 2!) nas zonas que recebem assistência alimentar, enquanto as áreas menos afectadas de Cabo Delgado poderão permanecer em "Estresse" (IPC Fase 2).
- No sul e no centro de Moçambique, prevê-se uma melhoria da situação, passando de Crise (IPC Fase 3) para "Estresse" (IPC Fase 2) à partir de Julho. A maioria das famílias começou a ter acesso a hortícolas frescas e a ganhar renda com a venda destes produtos. Esta melhoria é resultado da assistência com sementes de hortícolas após as cheias, da renda sazonal, da boa colheita na segunda época e da boa humidade residual do solo. No entanto, a partir de Outubro, as suas reservas de alimentos diminuirão, o que aumentará a sua dependência do mercado em meio aos preços elevados dos alimentos e ao baixo poder de compra; alguns distritos poderão voltar à Crise (IPC Fase 3) até Janeiro de 2027.
- O fenómeno El Niño está em curso e poderá persistir pelo menos até Janeiro de 2027, com possíveis eventos fortes. É muito provável um começo abaixo da média da época chuvosa de 2026/27, levando a um começo tardio, e temperaturas acima da média são prováveis no sul e no centro de Moçambique. Como resultado, as oportunidades de trabalho estarão abaixo da média para as famílias pobres.
- A FEWS NET estima que entre 1,5 e 1,99 milhões de pessoas necessitarão de assistência alimentar no período de Dezembro a Janeiro. A insegurança alimentar é resultado de reservas de alimentos abaixo da média, decorrentes de uma colheita fraca em 2026, e de perturbações contínuas nas formas de vida devido ao conflito em partes de Cabo Delgado e Nampula. As áreas do sul e do norte permanecem como as de maior preocupação.
A análise deste relatório baseia-se em informação disponível até 26 de Junho de 2026.
Contexto de segurança alimentar
Moçambique continua a enfrentar insegurança alimentar persistente, não obstante o seu considerável potencial agrícola inexplorado. O país é altamente vulnerável a eventos climáticos extremos – como ciclones, cheias, secas e estiagens, que prejudicam a produção de alimentos, a geração de renda e a criação de emprego. Nos últimos três anos, os ciclones Filipo, Chido, Dikeledi, Jude e Gezani e a seca de 2024 induzida pelo El Niño afectaram significativamente as formas de vida, especialmente as das famílias pobres, dificultando a recuperação e mantendo uma elevada vulnerabilidade a choques climáticos. Em Janeiro de 2026, a forte precipitação prolongada causou cheias severas nas regiões sul e centro, afectando mais de 700 mil pessoas, danificando 440 mil hectares de terras agrícolas, causando a morte de animais e prejudicando as formas de vida em Maputo, Gaza e Sofala. Entre Fevereiro e Março de 2026, estiagens prolongadas e chuvas fortes causaram mais danos às restantes culturas e aos animais. A maioria das famílias pobres enfrenta um risco acrescido de insegurança alimentar aguda durante a ocorrência de choques – incluindo défices no consumo de alimentos, acesso limitado aos cuidados de saúde primários, acesso limitado à água potável e surtos recorrentes de doenças, o que compromete ainda mais os resultados de segurança alimentar.
A agricultura é o principal sector económico de Moçambique, consistindo principalmente em agricultura de subsistência e de sequeiro de pequena escala (normalmente em áreas de 1 a 2 hectares). Mais de 70 por cento da população depende da agricultura como principal fonte de alimentos e renda. Os pequenos agricultores têm um poder de compra limitado para terem acesso aos insumos e tecnologias melhoradas, o que resulta em baixa produtividade das culturas e alta suscetibilidade a eventos climáticos extremos. As perdas pós-colheita giram em torno de 30 por cento da produção, principalmente devido à infraestrutura precária de armazenamento e secagem.
A principal época de colheita de Moçambique ocorre normalmente entre Abril e Junho. A segunda época, voltada principalmente para hortícolas, acontece em zonas baixas das regiões centro e sul do país e depende da humidade residual ou da rega, a sementeira começa por volta de Março ou Abril, e a colheita ocorre entre Junho e Outubro. As principais actividades agrícolas incluem a preparação da terra e sementeira, de Outubro a Dezembro, e sacha, de Fevereiro a Março. O período de Outubro a Março corresponde à época de escassez, caracterizada pelo esgotamento das reservas de alimentos, pela redução das oportunidades de geração de renda e pelos preços mais elevados dos alimentos. As famílias geralmente sobrevivem reduzindo a quantidade das refeições, saltando refeições, consumindo alimentos de menor preferência ou recorrendo a alimentos silvestres. Esta época de escassez também está associada a um aumento sazonal nos casos de desnutrição aguda.
A pobreza urbana em Moçambique tem estado a aumentar devido à rápida migração do campo para a cidade, à criação limitada de empregos formais e à expansão de assentamentos informais desprovidos de serviços e infraestrutura adequados. Cidades como Maputo, Beira e Nampula estão em rápida expansão; no entanto, o crescimento económico não gerou empregos estáveis em quantidade suficiente, levando muitas famílias a depender de trabalhos informais de baixa remuneração. Por outro lado, o elevado custo de vida nas zonas urbanas, especialmente no que diz respeito à alimentação, renda e transporte, tem reduzido o poder de compra das famílias.
Desde 2017, partes da província de Cabo Delgado, no norte do país, têm sido assoladas por um conflito desencadeado por um grupo armado não estatal (GANE): um grupo militante islâmico geralmente designado Al-Shabaab. No auge da insurgência, entre 2021 e 2022, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas, infraestruturas foram destruídas e as economias locais sofreram retração. As actividades agrícolas foram severamente prejudicadas, registando-se uma redução acentuada na área cultivada. Muitos agricultores ainda não têm acesso a terras agrícolas, mercados ou fontes de renda, o que limita a sua capacidade de produzir alimentos ou gerar renda. No final de 2025, uma escalada de ataques de retaliação por parte do GANE e respostas armadas localizadas de grupos de vigilantes (Naparamas) desencadeou novas ondas de deslocamento populacional, o que aumentou o número de pessoas que necessitam de assistência humanitária, enquanto, ao mesmo tempo, diminuiu o número de pessoas assistidas pelas organizações parceiras. O conflito persiste em 2026, provocando deslocamentos em Cabo Delgado e Nampula e afectando as formas de vida, embora a sua intensidade seja menor em comparação com os anos anteriores.
Saiba mais
Siga estes links para informação adicional:
- Última Perspectiva de Segurança Alimentar: Fevereiro a Setembro 2026
- Última Actualização de Destaques: Maio 2026
- Visão geral da metodologia de desenvolvimento de cenários da FEWS NET
- Abordagem da estimativa da população necessitada da FEWS NET
- Visão geral da análise do IPC-compatível
Abordagem da análise da assistência alimentar humanitária da FEWS NET
O conflito continua sendo um factor determinante da insegurança alimentar no norte de Moçambique, particularmente nas províncias de Cabo Delgado e em partes de Nampula. Informações indicam que, do início de Abril até Junho, grupos armados não statais (NSAGs) lançaram ataques novos e mais intensos nos distritos de Nangade e Macomia, seguidos por uma expansão do conflito para o sul, afectando Chiúre, Ancuabe e partes do nordeste de Montepuez. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, os ataques destes grupos provocaram o deslocamento de mais de 23 mil pessoas até meados de Junho de 2026 em Ancuabe, Montepuez e Chiúre, interrompendo actividades de subsistência e limitando o acesso aos mercados nas zonas afectadas.
A época principal nas áreas do sul ficou abaixo da média devido a cheias ocorridas em Janeiro e Março, combinadas com uma estiagem prolongada em Fevereiro e no início de Março. Estes choques ocorreram durante as fases críticas do desenvolvimento das culturas, particularmente durante a floração e o enchimento de grãos, resultando numa produtividade agrícola abaixo da média.
Os preços do milho no sul de Moçambique permanecem atipicamente elevados devido à disponibilidade local de alimentos abaixo da média e à crescente dependência de produtos provenientes de zonas com excedente de produção (Figura 1). Contrariando as normais tendências sazonais, os preços do milho subiram até 10 por cento entre Abril e Maio. Em Maio, os preços do milho estiveram entre 25 por cento e 60 por cento acima da média de cinco anos nos mercados do sul, enquanto os preços do arroz permaneceram de 20 por cento a 40 por cento acima da média. A redução da oferta nos mercados locais aumentou a dependência de fluxos externos, elevando os custos de transporte e transação e contribuindo para os preços elevados dos alimentos.
Figura 1
Fonte: FEWS NET, Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP)/Sistema de Informação de Mercados Agrícolas (SIMA)
As famílias nas áreas do sul têm rendas abaixo da média provenientes do trabalho agrícola, devido à capacidade limitada de contratação por parte das famílias ricas na sequência da fraca produção da época principal. Consequentemente, as oportunidades sazonais de trabalho agrícola permanecem abaixo da média. Em Cabo Delgado, o acesso limitado a terras agrícolas, mercados e actividades geradoras de renda reduziu ainda mais os ganhos provenientes do trabalho agrícola, do comércio e de outras actividades de subsistência.
A degradação do solo, o alagamento prolongado e o acesso limitado a sementes atrasaram em mais de um mês o cultivo e a colheita do período pós-cheias e da segunda época. A recuperação das cheias e das estiagens prolongadas no sul e em partes do centro de Moçambique tem sido lenta, com a recessão tardia das águas das cheias a retardar a preparação da terra e sementeira, enquanto o assoreamento e a salinização dificultam ainda mais as actividades agrícolas. O acesso limitado a sementes e o atraso na distribuição de insumos encurtaram a janela da sementeira, adiando as colheitas de Junho para o final de Julho e retardando a disponibilidade de alimentos e a geração de renda para as famílias afectadas.
A inflação anual aumentou acentuadamente em Maio de 2026, passando de 4,4 por cento em Abril para 7,2 por cento — a maior taxa interanual registada desde Maio de 2023. A inflação mensal acelerou para 2,3 por cento em Maio, um aumento de 0,63% desde Abril, marcando a taxa mensal mais elevada desde 2019.
As tarifas de transporte aumentaram na ordem de 26 por cento, enquanto os preços do diesel subiram 45 por cento em Abril, o que contribuiu significativamente para este aumento. Os preços mais elevados dos combustíveis, decorrentes de interrupções no fornecimento internacional, têm elevado os custos de distribuição de bens essenciais, pressionando em alta os preços de alimentos básicos e de outros bens de primeira necessidade.
Assistência humanitária
Em Maio de 2026, os parceiros do Grupo de Segurança Alimentar prestaram assistência alimentar humanitária a aproximadamente 180 mil pessoas, principalmente em Cabo Delgado e Gaza. No âmbito do Plano de Resposta Conjunta (JRP), o apoio aos novos deslocados internos em Ancuabe, no norte de Moçambique, foi concluído em Junho, beneficiando 7.665 pessoas, com uma segunda ronda programada para o final do mês. Até meados de Junho de 2026, as operações de resposta a cheias haviam coberto cerca de 300 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza e Sofala, e outras 11.400 pessoas afectadas por chuvas intensas receberam assistência em Zambézia, Nampula e Cabo Delgado. Os beneficiários receberam pacotes alimentares para um mês, kits de retorno e insumos agrícolas para apoiar a retomada das suas formas de vida. Para as populações afectadas pelo conflito, a assistência alimentar supriu quase 40 por cento das suas necessidades calóricas mensais.
Região norte
A Crise (IPC Fase 3) persiste em áreas localizadas de Cabo Delgado afectadas pelo conflito, particularmente em Mocímboa da Praia, Meluco, Palma, Quissanga e partes de Chiúre. A retomada das acções dos GANEs provocou novos deslocamentos de famílias, interrompeu actividades agrícolas e limitou o acesso a terras de cultivo, mesmo durante o período pós-colheita. Como resultado, as famílias apresentam reservas de alimentos abaixo da média e dependem cada vez mais de compras no mercado para se alimentar. Elas também dependem de assistência humanitária alimentar, apoio de familiares e fontes de renda informais de pequena escala. Muitas famílias também estão adoptando estratégias de sobrevivência, como reduzir a quantidade e a frequência das refeições para duas por dia e, por vezes, saltar refeições. A insegurança alimentar aguda de "Estresse" (IPC Fase 2) persiste em partes de Muidumbe, Nangade e Macomia, onde a assistência alimentar humanitária em curso tem mitigado os défices no consumo de alimentos entre famílias deslocadas e afectadas pelo conflito.
A situação de "Estresse” (IPC Fase 2) persiste em zonas de Cabo Delgado menos afectadas pelo conflito, incluindo os distritos de Ancuabe, Mecúfi, Montepuez e Pemba. Estas zonas têm acesso a reservas de alimentos de produção própria e estão se beneficiando de melhorias sazonais na disponibilidade de alimentos na sequência da colheita principal de 2026. Como resultado, o consumo de alimentos das famílias melhorou e a dependência dos mercados diminuiu, levando a um aumento do seu poder de compra. No entanto, em certas zonas, a insegurança persistente limitou o acesso a terras agrícolas e interrompeu actividades típicas de subsistência em vários distritos. A maioria das famílias consegue suprir as suas necessidades alimentares básicas após o período de colheita, mas não consegue adquirir certos bens essenciais não alimentares.
Regiões sul e centro
A Crise (IPC Fase 3) persiste nas zonas mais afectadas pelas cheias e seguidas por estiagens prolongadas, particularmente nos distritos de Chibuto, Chókwe, Limpopo e Magude. Muitas famílias pobres enfrentam défices no consumo de alimentos devido a reservas de alimentos limitadas e ao baixo poder de compra. Como resultado, recorrem a estratégias de sobrevivência, como reduzir a quantidade, e a frequência das refeições, priorizar a alimentação das crianças e enviar membros das suas famílias — especialmente jovens — para centros urbanos em busca de oportunidades de geração de renda. O poder de compra das famílias permanece baixo devido às limitadas oportunidades de renda e aos preços de alimentos básicos acima da média. A maioria das famílias afectadas pelas cheias continua a depender de compras no mercado, uma vez que as culturas pós-cheias foram semeadas tardiamente (em Abril/Maio) e ainda não estão prontas para a colheita.
A situação de "Estresse" (IPC Fase 2) predomina nas demais zonas menos afectadas pelas cheias, onde as famílias sofreram perdas de produção menos severas e obtiveram rendas abaixo da média com o trabalho agrícola. A maioria das famílias consegue, no geral, suprir as suas necessidades alimentares mínimas, mas enfrenta dificuldade em cobrir despesas essenciais não alimentares.
Zonas urbanas
Nas zonas urbanas, persiste a situação de "Estresse" (IPC Fase 2) para a maioria das famílias pobres, devido às limitadas oportunidades de renda, remunerações fixas e redução do poder de compra. As famílias urbanas dependem fortemente de compras no mercado para satisfazer as suas necessidades alimentares e não alimentares e, portanto, são particularmente afectadas pelos recentes aumentos no custo de vida. O poder de compra das famílias urbanas pobres continua a se deteriorar, pois a renda, de modo geral, não tem acompanhado o aumento do custo de vida. No entanto, muitas famílias ainda conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares básicas, mas não conseguem arcar com despesas não alimentares, como transporte, educação, saúde, serviços públicos e habitação. Para fazer face à situação, as famílias estão reduzindo as suas despesas com bens não alimentares e têm dependido mais de actividades informais de geração de renda, como pequenos negócios, trabalhos ocasionais e venda de pequenas quantidades de bens e serviços. Algumas famílias encontram-se em Crise (IPC Fase 3) e sobrevivem reduzindo a quantidade e a frequência das refeições, isto ocorre principalmente entre famílias pobres com capacidade de compra ou apoio social limitados, incluindo as chefiadas por crianças, idosos ou viúvas.
- A insegurança poderá persistir em partes de Cabo Delgado e províncias vizinhas pelo menos até Janeiro de 2027. Esta situação poderá resultar em deslocamentos contínuos e perturbações nas formas de vida e no acesso aos mercados. Prevê-se um aumento nos incidentes de violência durante a estação seca, de Junho a Setembro, seguido de uma ligeira redução com a chegada das chuvas.
- Fortes condições de El Niño são muito prováveis pelo menos até Janeiro de 2027. A precipitação poderá estar abaixo da média e poderá registar atrasos no sul e centro de Moçambique (Figura 2).
- Prevêm-se temperaturas acima da média entre Outubro e Janeiro, particularmente em zonas do sul e do centro, o que aumentará o estresse hídrico nas culturas, no pasto e nos recursos hídricos.
- Os elevados preços dos combustíveis poderão manter os custos de transporte e comercialização em níveis altos até Janeiro de 2027, contribuindo para preços acima da média dos alimentos básicos e de outros bens essenciais.
- A inflação anual poderá permanecer em um dígito, porém acima das estimativas anteriores, devido a desafios económicos, limitações na oferta interna, choques climáticos e factores externos.
- As importações de milho e produtos frescos da África do Sul poderão permanecer acima da média até Janeiro de 2027, o que ajudará a compensar a produção abaixo da média no sul de Moçambique.
- A colheita de milho esteve abaixo da média nas regiões Sul e Norte devido a eventos climáticos extremos e ao conflito, que rompeu as formas de vida, respectivamente.
Figura 2
Fonte: University of Botswana RAMP Lab, CHIRPSv3, UCSB CHC
- Os preços do milho no sul de Moçambique poderão permanecer acima da média devido aos níveis reduzidos de produção. Em contrapartida, os preços nas regiões centro e norte poderão permanecer abaixo da média até Janeiro, como resultado de uma melhor oferta no mercado.
- A disponibilidade de alimentos das famílias em partes do sul e centro de Moçambique poderá permanecer abaixo da média até Janeiro de 2027, devido à redução na produção de cereais da época principal. No entanto, as colheitas de hortícolas e quantidades limitadas de milho de ciclo curto — provenientes do cultivo pós-cheias e da segunda época — poderão melhorar temporariamente a oferta de alimentos entre Julho e Outubro.
- As oportunidades de trabalho agrícola e respectivas remunerações poderão permanecer abaixo da média de Outubro de 2026 a Janeiro de 2027 em grande parte do sul, centro e norte de Moçambique (nesta última região, devido ao conflito), impulsionadas pela menor procura da mão de obra e pela insegurança. Nas zonas do sul, a renda será limitada pelos impactos das cheias e das estiagens de 2025/26, apesar dos ganhos temporários da segunda época. Em Cabo Delgado, as limitações de movimentação decorrentes da insegurança persistente continuarão a reduzir a renda das famílias.
- As colheitas da segunda época/pós-cheias poderão estar abaixo da média nas regiões centro e sul de Moçambique entre Julho e Outubro. Por outro lado, os efeitos persistentes da degradação do solo, do alagamento prolongado e do acesso limitado a insumos agrícolas poderão reduzir a área semeada e a produtividade das culturas.
- Actividades geradoras de renda não agrícolas no sul de Moçambique poderão aumentar entre Junho e Setembro, à medida que as famílias procuram compensar a redução da produção agrícola. No entanto, as rendas poderão permanecer abaixo da média devido à fraca demanda e ao aumento da concorrência. Na região norte, a renda poderá estar abaixo da média, uma vez que a insegurança limitará a participação em oportunidades de geração de renda.
Assistência alimentar humanitária
O número de pessoas cobertas pela assistência alimentar em Cabo Delgado poderá variar entre 265 mil e 425 mil até Janeiro de 2027.
Áreas do norte
De Junho a Setembro de 2026, a Crise (IPC Fase 3) poderá persistir nos distritos de Cabo Delgado afectados pelo conflito, incluindo Mocímboa da Praia, Palma, Meluco e partes de Muidumbe, Nangade e Chiúre, bem como no norte de Nampula (Eráti e Memba) — devido às contínuas perturbações das formas de vida e do acesso aos mercados. O acesso das famílias aos alimentos poderá estar abaixo da média devido ao poder de compra limitado, resultando em défices no consumo de alimentos. Nas zonas que recebem assistência alimentar humanitária, como Macomia, Quissanga, Nangade e Muidumbe, prevê-se "Estresse!"(IPC Fase 2!), uma vez que a assistência mitiga os défices de consumo alimentar entre os deslocados internos. Prevê-se "Estresse" (IPC Fase 2) em Ancuabe, Mecúfi, Montepuez, Namuno, Mueda, Balama e na zona urbana de Pemba, sustentada pela disponibilidade de alimentos no período pós-colheita.
Entre Outubro de 2026 e Janeiro de 2027, a situação de Crise (IPC Fase 3) poderá persistir nos distritos de Cabo Delgado afectados pelo conflito (Chiúre, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Meluco, Muidumbe, Nangade e Macomia) e no norte de Nampula (Erati e Memba), onde muitas famílias não conseguem satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas. Os défices no consumo de alimentos poderão persistir entre as famílias mais pobres devido ao acesso limitado aos alimentos, ao baixo poder de compra, à dependência contínua de fontes de renda irregulares e ao acesso limitado aos mercados. Consequentemente, as famílias poderão continuar a adoptar estratégias de sobrevivência, tais como a redução da quantidade e da frequência das refeições, a deslocação temporária para zonas consideradas mais seguras e com melhor disponibilidade de alimentos, a maior dependência do apoio de outras famílias e a intensificação da colecta de alimentos silvestres.
Regiões sul e centro
De Junho a Setembro de 2026, a situação de "Estresse" (IPC Fase 2C) poderá prevalecer em todo o sul e centro de Moçambique, prevendo-se melhorias graduais a partir de Julho. A melhoria da Crise (IPC Fase 3) poderá ser resultado do aumento do consumo de alimentos das colheitas pós-cheias e da segunda época, bem como da renda sazonal proveniente do trabalho agrícola e da venda de excedentes de produção, o que sustentará a compra de alimentos básicos. No entanto, a produção da segunda época consiste principalmente em hortícolas, que são perecíveis e proporcionam apenas um curto acesso aos alimentos. Algumas famílias continuarão também a obter rendas de actividades não agrícolas típicas, incluindo a produção de carvão e a venda de animais, sempre que for possível e viável. De um modo geral, as famílias poderão satisfazer gradualmente as suas necessidades alimentares mínimas de Julho até Setembro, mas continuarão incapazes de cobrir totalmente as despesas essenciais não alimentares e as relacionadas com as formas de vida, devido a rendas abaixo da média e a um poder de compra limitado.
De Outubro de 2026 a Janeiro de 2027, a Crise (IPC Fase 3) poderá ocorrer durante a época de escassez em partes do sul e centro de Moçambique, como resultado de uma época 2025/26 fraca, reservas de alimentos reduzidas e preços elevados dos alimentos, o que levará a défices no consumo de alimentos. Neste período, as reservas das famílias, provenientes da produção da segunda época, estarão largamente esgotadas e aumentará a sua dependência de compras no mercado. Simultaneamente, os preços dos alimentos básicos — particularmente milho e arroz — poderão permanecer acima da média, enquanto a renda das famílias deverá estar abaixo da média, reduzindo ainda mais o poder de compra. As famílias pobres poderão adoptar diversas estratégias de sobrevivência, incluindo maior dependência de alimentos silvestres, migração para grandes centros urbanos em busca de emprego e oportunidades de geração de renda, envio de seus membros para morar com familiares e retirada de crianças da escola em locais onde não há programas de alimentação escolar. Algumas famílias também poderão reduzir a quantidade e a frequência das refeições à medida que o acesso aos alimentos se deteriora. Preveem-se condições de "Estresse" (IPC Fase 2) em zonas menos afectadas pelas cheias e estiagens; nestes locais, as famílias provavelmente conseguirão satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas, mas permanecerão incapazes de arcar com despesas essenciais não alimentares.
Zonas urbanas
Nas zonas urbanas, a situação de Estresse (IPC Fase 2) poderá persistir para a maioria das famílias pobres de Junho a Setembro de 2026, impulsionada pela dependência contínua dos mercados, fontes de renda limitadas e poder de compra limitado. Esperam-se melhorias temporárias no acesso aos alimentos até Setembro, sustentadas pela maior disponibilidade de produtos frescos (principalmente hortícolas) e preços de alimentos relativamente mais baixos, factores que ajudam a estabilizar o consumo de alimentos para muitas famílias.
De Outubro de 2026 até pelo menos Janeiro de 2027, prevê-se uma deterioração no acesso aos alimentos, à medida que os preços dos alimentos básicos aumentam e as rendas baixam, reduzindo o poder de compra. Como resultado, as famílias pobres poderão enfrentar dificuldades crescentes para manter um consumo alimentar adequado, sendo provável que uma pequena parte destas famílias enfrente Crise (IPC Fase 3). A maioria das famílias pobres poderá satisfazer as necessidades alimentares mínimas, mas permanecerá incapaz de cobrir despesas essenciais não alimentares. As estratégias de sobrevivência incluem a redução de despesas não alimentares e uma maior dependência de fontes de renda informais, como pequenos negócios e o trabalho ocasional.
| Evidência | Fonte | Formato de dados | Elemento de análise de segurança alimentar |
|---|---|---|---|
| Zonas de formas de vida de Moçambique e Perfis | FEWS NET | Qualitativo/Quantitativo | Fontes típicas de alimentos e renda por zona de formas de vida |
| Previsão meteorológica e de cheias | Centro de Previsão Climática da NOAA, USGS, Centro de Riscos Climáticos na Universidade de Califórnia, Santa Barbara, e NASA | Qualitativo/Quantitativo | Previsão da situação agroclimática em Moçambique durante o período do cenário |
Perspectiva do fenómeno ENSO da NOAA para Junho de 2026
| NOAA/Centro de Previsão Climática | Qualitativo/Quantitativo | Todos os elementos da segurança alimentar são afectados, com particular destaque para o acesso aos alimentos. |
| Informe sobre os impactos do El Niño - Moçambique | FEWS NET | Qualitativo/Quantitativo | Monitoria agrometeorológica |
| Dados geoespaciais, produtos de imagens satélite e produtos de dados derivados | Dados geoespaciais, produtos de imagens satélite, e produtos de dados derivados | Qualitativo/Quantitativo | Monitoria permanente da situação agroclimática baseada em imagens satélite |
| Análise e previsões de conflitos | ACLED, Control Risks Seerist, Signal Room, ACAPS; 360º Moçambique | Quantitativo | Análise e informação sobre o conflito em Cabo Delgado |
| Planos de distribuição de assistência alimentar humanitária | Grupo de Segurança Alimentar (FSC) de Moçambique WFP | Quantitativo | Níveis de assistência alimentar humanitária em Setembro e planos para o período do cenário desta Perspectiva |
| Fundamentos e análise técnica integrada para a projeção dos preços do milho nas áreas do sul, centro e norte | FEWS NET | Qualitativo/Quantitativo | Comportamento actual dos preços de milho e projeções para os próximos oito meses em três mercados de referência: Maputo e Chókwe (Sul), Mutarara (Centro) e Montepuez (Norte) |
| Informação de campo sobre as condições de segurança alimentar em áreas selecionadas | Entrevistas com informantes-chave, incluindo extensionistas locais, parceiros de implementação humanitária e líderes comunitários.
| Qualitativo/Quantitativo | Questões de segurança alimentar, com foco no acesso aos alimentos, geração de renda, níveis de produção, reservas alimentares e estratégias de sobrevivência. |
| Revisão da Previsão Sazonal da FEWS NET de Fevereiro de 2026 | NOAA | Qualitativo/Quantitativo | Previsão da situação agroclimática em Moçambique durante o período do cenário |
| Relatórios da Matriz de Rastreamento de Deslocamentos | IOM | Qualitativo/Quantitativo | Análise e informação sobre o deslocamento relacionado com o conflito em Cabo Delgado |
| Tendências da inflação em Moçambique | Trading Economics | Quantitativo | Acesso aos alimentos |
| Aumento dos preços dos combustíveis | Club of Mozambique | Quantitativo | Acesso aos alimentos |
O aviso prévio relativo aos resultados de insegurança alimentar aguda exige previsões com meses de antecedência, de modo a dar aos tomadores de decisão tempo suficiente para a alocação de recursos, planificação e resposta a crises humanitárias previstas. No entanto, devido aos factores complexos e variáveis que influenciam a insegurança alimentar aguda, previsões definitivas são impossíveis. O Desenvolvimento de Cenários é uma metodologia que permite à FEWS NET atender às necessidades dos tomadores de decisão, desenvolvendo um cenário"mais provável" do futuro.
O processo de desenvolvimento de cenários da FEWS NET aplica o Quadro de Redução de Riscos de Desastres e uma perspectiva baseada nas formas de vida para avaliar os resultados da insegurança alimentar aguda. O risco de insegurança alimentar aguda de uma família depende não apenas de eventos (como a seca), mas também da vulnerabilidade da família a estes eventos (por exemplo, o nível de dependência da produção agrícola de sequeiro para alimentação e renda) e da capacidade de sobrevivência (que considera tanto a capacidade da família de lidar com um determinado evento quanto o uso de estratégias de sobrevivência negativas que prejudicam a capacidade futura). Para avaliar estes factores, a FEWS NET baseia a sua análise numa compreensão sólida das formas de via locais. O processo de desenvolvimento de cenários da FEWS NET também leva em consideração o Quadro de Formas Sustentáveis, as Quatro Dimensões da Segurança Alimentar e o Quadro Conceitual de Nutrição do UNICEF, mantendo um estreito alinhamento com o quadro analítico de Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC).
- Como a FEWS NET analisa os resultados actuais da insegurança alimentar aguda? A FEWS NET avalia em que medida as famílias conseguem satisfazer as suas necessidades calóricas mínimas. Esta análise reúne evidências das condições actuais de segurança alimentar, bem como evidências directas disponíveis sobre o consumo alimentar e as mudanças nas formas de vida ao nível familiar. A FEWS NET também considera evidências disponíveis ao nível de área sobre o estado nutricional e a mortalidade, concentrando-se em verificar se estes indicadores reflectem os impactos fisiológicos da insegurança alimentar aguda. A FEWS NET utiliza a escala da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC, composta por cinco fases, para classificar os resultados actuais da insegurança alimentar aguda,e a análise é compatível com o IPC. Por outro lado, a FEWS NET usa o símbolo “!” para designar zonas onde a Fase do IPC provavelmente seria pelo menos pior na ausência da assistência alimentar humanitária em curso.
- Como a FEWS NET desenvolve os principais pressupostos que sustentam o cenário mais provável? Uma etapa fundamental no processo de desenvolvimento de cenários da FEWS NET é a elaboração de pressupostos baseados em evidências sobre os factores que afectam a segurança alimentar. Isto inclui riscos e anomalias nas condições de segurança alimentar que afectarão a evolução dos alimentos e a renda das famílias durante o período de projeção, bem como factores que podem afectar o estado nutricional. A FEWS NET também desenvolve pressupostos sobre os factores que se espera que se comportem normalmente. Combinados, estes pressupostos formam a base do cenário “mais provável”.
- Como a FEWS NET analisa os resultados projectados de insegurança alimentar aguda? Usando os principais pressupostos que sustentam o cenário “mais provável”, a FEWS NET projecta os resultados de insegurança alimentar aguda avaliando a evolução da capacidade das famílias de satisfazer as suas necessidades calóricas mínimas ao longo do tempo. A FEWS NET converge com as expectativas da trajectória provável do consumo de alimentos ao nível familiar e da mudança nas formas de vida com o estado nutricional e a mortalidade ao nível de área. Em seguida, a FEWS NET classifica os resultados de insegurança alimentar aguda usando a escala IPC. Por fim, a FEWS NET usa o símbolo “!” para designar quaisquer áreas onde a Fase do IPC provavelmente seria pior na ausência da assistência alimentar programada – e que provavelmente será financiada e prestada.
- Como a FEWS NET analisa a assistência alimentar humanitária? A assistência alimentar humanitária – definida como assistência alimentar de emergência (em espécie, dinheiro ou senhas) – pode desempenhar um papel fundamental na mitigação da gravidade dos resultados de insegurança alimentar aguda. Os analistas da FEWS NET sempre incorporam a informação disponível sobre a assistência alimentar, com a ressalva de que essa informação pode variar significativamente entre diferentes regiões geográficas e ao longo do tempo. Em conformidade com os protocolos do IPC, a FEWS NET utiliza a melhor informação disponível para avaliar onde a assistência alimentar é "significativa" (definida como aquela em que pelo menos 25 por cento das famílias numa determinada zona recebem pelo menos 25 por cento das suas necessidades calóricas via assistência alimentar). Por outro lado, a FEWS NET realiza análises mais aprofundadas dos prováveis impactos da assistência alimentar sobre a gravidade dos resultados, conforme detalhado no guia da FEWS NET sobre a Integração da Assistência Alimentar Humanitária no Desenvolvimento de Cenários.
Embora as projeções da FEWS NET sejam consideradas o cenário “mais provável”, sempre existe um grau de incerteza nos pressupostos que o sustentam. Isto significa que as condições de segurança alimentar e seus impactos na insegurança alimentar aguda podem evoluir de forma diferente da projectada. A FEWS NET publica actualizações mensais das suas projeções, mas os tomadores de decisão precisam de informação antecipada sobre tal incerteza e uma explicação de por que as coisas podem se desenrolar de maneira diferente da projectada. Assim, a etapa final do processo de desenvolvimento de cenários da FEWS NET consiste em identificar rapidamente os principais eventos que resultariam num cenário alternativo credível e alterariam significativamente os resultados projectados. A FEWS NET considera apenas cenários que tenham uma probabilidade razoável de ocorrência.
Nacional
Ciclones tropicais e/ou cheias afectam zonas de alta produção
Impacto provável nos resultados da insegurança alimentar aguda: Dependendo da escala e frequência, os ciclones tropicais ou cheias podem causar uma grande ruptura na produção agrícola, danificando culturas e gado, ruptura nas actividades de subsistência e destruição de infraestruturas. O impacto seria particularmente severo se o evento ocorrer durante as fases de floração e maturação das culturas, quando o potencial de recuperação ou replantio é limitado. A principal preocupação gira em torno das famílias pobres que sofreram duas ou três colheitas consecutivas abaixo da média. Estas famílias podem enfrentar uma outra produção fraca, limitando ainda mais o seu acesso aos alimentos de produção própria, oportunidades de trabalho e capacidade de geração de renda. As famílias enfrentariam dificuldades para se recuperarem, podendo permanecer em Crise (IPC Fase 3) ou registar apenas uma melhora de curta duração antes de mergulharem novamente na Crise (IPC Fase 3) muito antes da época de escassez além do período da projecção.
Região sul
Recuperação mais lenta do que o esperado da colheita pós-cheias ou desempenho abaixo da média da segunda época
Provável impacto nos resultados de insegurança alimentar aguda: A melhoria prevista na segurança alimentar a partir de Julho em diante poderá não se concretizar de acordo com a expectativa, prolongando a Crise (IPC Fase 3) na maior parte da zona sul e em partes da zona centro afectadas pelas cheias e estiagens entre Janeiro e Março de 2026. A colheita abaixo da média da época principal e a recuperação limitada das formas de vida continuarão a limitar o acesso aos alimentos e à renda, aumentando a dependência de compras no mercado. No entanto, preços de alimentos básicos acima da média e rendas persistentemente baixas limitarão severamente o acesso aos alimentos. Embora as famílias possam expandir as actividades baseadas em recursos naturais, o baixo poder de compra as impedirá de satisfazer as suas necessidades alimentares. As famílias poderão começar a adoptar estratégias de sobrevivência, como reduzir o tamanho das refeições e saltar refeições, mantendo assim níveis elevados de insegurança alimentar aguda.
Regiões sul e centro
Início da estação chuvosa de 2026/27 pior do que o previsto
Provável impacto nos resultados de insegurança alimentar aguda: Um início significativamente mais tardio e irregular da estação chuvosa de 2026/27, ou estiagens mais prolongadas no início da época, retardariam a preparação da terra e a sementeira, reduzindo a disponibilidade de mão de obra agrícola sazonal e adiando a geração de renda para famílias pobres que dependem do trabalho agrícola. Chuvas tardias também retardariam a regeneração do pasto e fontes de água superficiais, afectando negativamente as condições físicas dos animais, a sua reprodução e a produção de leite, reduzindo assim tanto o acesso a produtos de origem animal quanto a renda proveniente de actividades pecuárias. Por outro lado, a disponibilidade de alimentos silvestres — uma importante fonte sazonal de alimentos para muitas famílias pobres e muito pobres — permaneceria abaixo do normal por mais tempo do que o esperado, limitando ainda mais o acesso aos alimentos. Embora as grandes barragens e reservatórios apresentem actualmente níveis relativamente favoráveis após a estação chuvosa anterior, a queda tardia da precipitação adiaria a reposição das fontes de água comunitárias menores, reduzindo a disponibilidade de água tanto para as famílias quanto para os animais em algumas áreas.
Como resultado, as famílias de baixa renda permaneceriam dependentes de compras no mercado para a sua alimentação por um período mais longo do que o actualmente previsto. No entanto, os preços dos alimentos básicos poderão permanecer acima da média e aumentar sazonalmente a partir de Novembro, enquanto a renda abaixo da média proveniente do trabalho agrícola limitaria ainda mais o poder de compra das famílias. Consequentemente, um número maior de distritos — particularmente nas zonas semiáridas do sul e do centro — enfrentaria Crise (IPC Fase 3). Os défices de consumo alimentar agravar-se-iam entre as famílias mais pobres, levando a uma deterioração da desnutrição aguda com a diminuição do acesso à dieta adequada e diversificada. Embora se espere que a desnutrição aguda ao nível de área permaneça dentro da classificação GAM Aceitável e a Crise (IPC Fase 3) continue sendo a classificação mais severa de insegurança alimentar aguda ao nível de área, aumentaria o número de famílias com maiores défices de consumo alimentar ou a adoptar estratégias de sobrevivência mais severas, resultando em um número maior de famílias em Emergência (IPC Fase 4).
Citação recomendada: FEWS NET. Moçambique Previsão de Segurança Alimentar Junho 2026 - Janeiro 2027: Conflito, lenta recuperação das cheias, e seca limitam o acesso aos alimentos, 2026.
Para projectar as condições de segurança alimentar ao longo de um período de seis meses, a FEWS NET desenvolve um conjunto de pressupostos sobre eventos prováveis, seus efeitos e as respostas prováveis de diversos actores. A FEWS NET analisa esses pressupostos, no contexto das condições actuais e formas de vida locais para desenvolver cenários estimando as condições de segurança alimentar. Normalmente, a FEWS NET reporta o cenário mais provável. Para saber mais, clique aqui.