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Necessidades humanitárias poderão permanecer elevadas até Setembro de 2024 devido ao El Niño e conflito

  • Previsão de Segurança Alimentar
  • Moçambique
  • Fevereiro - Setembro 2024
Necessidades humanitárias poderão permanecer elevadas até Setembro de 2024 devido ao El Niño e conflito

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  • Mensagens-chave
  • Panorama Nacional
  • Calendário Sazonal para um Ano Normal
  • Áreas de Preocupação - Zona de Formas de Vida Semiárida Central com Algodão e Minerais (MZ15) (Figura 4)
  • Resultados mais prováveis ​​em matéria de segurança alimentar e áreas que recebem níveis significativos de assistência humanitária
  • Mensagens-chave
    • Situações de insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) ou de “Estresse” (IPC Fase 2) são esperadas até Setembro de 2024 devido aos efeitos negativos do El Niño, uma vez que não se observam melhorias significativas nas zonas sul e centro. Algumas zonas com “Estresse” (IPC Fase 2) poderão ver a sua situação transitar para Crise (IPC Fase 3) a partir de Agosto devido ao previsto rápido esgotamento de reservas de alimentos como resultado da iminente colheita abaixo da média, acesso limitado à renda e preços dos alimentos acima da média. Em Cabo Delgado, as zonas em situação de Crise (IPC Fase 3) estão a ressurgir rapidamente, uma vez que algumas áreas em “Estresse! (IPC Fase 2!) e “Estresse” (IPC Fase 2) enfrentam uma crescente insegurança. O ressurgimento dos ataques está a aumentar o número de deslocados internos, interrompendo as acções humanitárias e colocando enormes desafios à capacidade de resposta da comunidade humanitária. Contudo, a nível nacional, a maioria das famílias mais pobres em todo o país poderá enfrentar insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1).
    • Para a época agrícola 2023/2024 em curso, espera-se uma produção abaixo da média a nível nacional, principalmente devido aos efeitos negativos do El Niño que está a afectar a maior parte do país, excepto a parte norte das províncias de Niassa e Cabo Delgado. Os efeitos negativos do fenómeno El Niño são precipitação abaixo da média, distribuição irregular da precipitação e temperaturas acima da média. Na província de Maputo, a distribuição da precipitação tem sido relativamente regular, mas o calor intenso que se faz sentir já causou um “estresse” hídrico nas culturas, o que pode resultar em rendimentos abaixo da média. Nas zonas afectadas pelo conflito, incluindo os distritos de Macomia, Chiúre, Mecúfi, Metuge, Mocímboa da Praia, Quissanga, Ancuabe e Muidumbe, o ressurgimento e o medo de ataques afectarão as actividades de subsistência recentemente retomadas, incluindo a agricultura, e poderão resultar numa produção agrícola inferior à prevista.
    • Em Janeiro de 2024, os parceiros do Grupo de Segurança Alimentar (FSC) prestaram assistência alimentar humanitária a aproximadamente 21.500 pessoas em Cabo Delgado e Niassa, representando cerca de 2,4 por cento da população alvo. 61 por cento dos beneficiários são de Cabo Delgado e 39 por cento do Niassa. A partir de Maio deste ano, a assistência alimentar humanitária será interrompida em Nampula. No que diz respeito ao apoio à agricultura e formas de vida, de Outubro de 2023 a Janeiro de 2024 (época agrícola principal), os parceiros do FSC teriam assistido cerca de 241.700 pessoas só em Cabo Delgado (92.468 em Janeiro), das quais cerca de 15 por cento são de comunidades de acolhimento/locais, 13 por cento são pessoas deslocadas internamente e os restantes são famílias mistas. A deterioração da situação de segurança está a afectar as acções humanitárias com relatos de suspensão temporária destas em Quissanga e Chiúre, as quais poderão ser retomadas a qualquer momento, dependendo da dinâmica no terreno. Por outro lado, os fundos limitados para responder às crescentes necessidades estão a forçar o Programa Mundial de Alimentação (PMA) a reduzir a assistência alimentar humanitária em 2024 e a adoptar alguns princípios de orientação e priorização que incluem dar prioridade aos mais vulneráveis, dar prioridade aos distritos de retorno, mitigar factores que levam as pessoas abandonar as suas zonas e a se estabelecerem noutras, concentrar recursos para a relação custo-eficácia, incorporar aspectos de sazonalidade e implementar ajustes baseados em evidências.
    • Em Janeiro de 2024, os preços do milho permaneceram estáveis, mas 30 e 20 por cento superiores, em média, aos do ano passado e à média de cinco anos, respectivamente. As maiores variações ocorreram em Maputo, onde o preço em Janeiro foi 50 por cento superior ao do ano passado, e em Nampula, onde o preço foi 45 por cento superior à média de cinco anos. Os preços do arroz e da farinha de milho permaneceram relativamente estáveis entre Dezembro de 2023 e Janeiro de 2024 e em comparação com o ano passado, mas 30 e 15 por cento superiores, em média, à média de cinco anos, respectivamente. Os elevados preços dos alimentos básicos têm estado a reduzir cada vez mais o poder de compra das famílias pobres que dependem dos mercados como fonte de alimentos na sequência dos impactos do El Niño, especialmente nas zonas semiáridas do sul e centro do país. 

    Panorama Nacional

    Situação Actual

    Evolução da época agrícola 2023/2024: Em Moçambique, o início da época agrícola 2023/2024 foi misto. Em grande parte do país, a precipitação começou tarde, com atrasos de 10 a 30 dias, particularmente em Inhambane, Tete, norte de Manica e zonas costeiras das províncias da Zambézia e Nampula. A precipitação começou mais cedo em alguns locais, particularmente na província de Maputo. Contudo, às primeiras chuvas de Outubro e Novembro foram seguidas por longos períodos de seca e temperaturas acima da média, resultando na perda da maior parte das culturas inicialmente semeadas e forçando as famílias a efectuar novas sementeiras. De acordo com uma avaliação de Janeiro da FEWS NET, em algumas partes do país, especialmente no sul de Tete, norte de Manica, sul da Zambézia e Sofala, as famílias tiveram de semear pelo menos duas vezes, dependendo da disponibilidade de sementes. No geral, a maior parte das culturas que estão actualmente em campo foram semeada em meados de Dezembro de 2023, na sequência das chuvas substanciais que ocorreram nessa altura e em diante. Contudo, existem áreas, especialmente na parte sul da província de Tete e na parte norte da província de Manica, onde as famílias ainda tentavam semear até Janeiro, após sucessivas perdas de culturas. O período de crescimento é curto para estas culturas semeadas mais tarde, uma vez que a estação chuvosa normalmente termina mais cedo em condições de El Niño. Devido à probabilidade de uma produção significativamente abaixo da média, a zona semiárida do sul de Tete foi seleccionada como uma Área de Preocupação para esta Perspectiva de Segurança Alimentar da FEWS NET (vide abaixo).

    Um grande défice na precipitação acumulada entre 1 de Outubro de 2023 e 10 de Fevereiro de 2024 é notável na parte norte da província da Zambézia e na parte sul da província de Nampula (Figura 1), onde a precipitação acumulada esteve na ordem de 70 por cento abaixo da média. Em praticamente todo o país, incluindo as zonas semiáridas das províncias de Gaza e Inhambane, a precipitação acumulada ficou abaixo da média. As excepções incluem a parte norte das províncias de Niassa e Cabo Delgado, onde a precipitação acumulada foi média a acima da média. Em Cabo Delgado a precipitação acima da média causou cheias localizadas.
    As conclusões de uma rápida avaliação qualitativa da segurança alimentar realizada pela FEWS NET em Janeiro nas zonas semiáridas da província de Gaza mostram que o início da época agrícola 2023/2024 também foi misto. Algumas culturas semeadas em Outubro e Novembro foram perdidas devido aos períodos prolongados de seca e ao calor intenso em Novembro, especialmente hortícolas tais como tomate, pepino, couve e alguns cereais. Parte do milho semeado nas zonas altas foi perdida, enquanto grande parte do milho semeado nas zonas baixas sobreviveu ao calor intenso. Actualmente, as culturas em campo encontram-se em diferentes fases de crescimento, desde a fase vegetativa até à fase reprodutiva, uma vez que as famílias semeiam de forma escalonada na tentativa de conseguir algum nível de produção. No geral, devido à seca associada às elevadas temperaturas em Novembro, Janeiro e Fevereiro, as condições das culturas em campo deterioraram-se. A maioria das famílias mais pobres não possui reservas de alimentos da época passada e estão a comprar alimentos nos mercados, tanto quanto possível. Embora em níveis abaixo da média, existem alguns alimentos verdes na zona que as famílias consomem, tais como folhas de abóbora, folhas de mandioca, folhas de batata doce, melancia, feijão nhemba e milho verde, além dos alimentos silvestres disponíveis, como canhu, macuacua, mafura, malimbe e tinhire. A disponibilidade de pasto e água é actualmente favorável; as famílias que possuem animais não precisam de percorrer longas distâncias em busca de água e pasto. Os animais apresentam boas condições físicas e não há relatos de migração animal ou casos preocupantes de doenças em animais. Embora se espere uma ligeira melhoria dos níveis de consumo de alimentos durante a próxima colheita, a produção não será suficiente para esta zona melhorar a fase do IPC; portanto, esta poderá permanecer em Crise (IPC Fase 3) durante todo o período do cenário.

    Figura 1

    Percentagem da média da precipitação acumulada (1 de Outubro 2023 a 10 de Fevereiro 2024)
    Seasonal Rainfall Accumulation Percent of average (October 1, 2023 to February 10, 2024)

    Fonte: FEWS NET/USGS

    Disponibilidade do trabalho agrícola e salários: A disponibilidade do trabalho agrícola situa-se próxima da média devido às múltiplas tentativas de sementeira e sacha, excepto nas zonas semiáridas do centro onde as perspectivas de uma boa época são mínimas. No entanto, a remuneração do trabalho agrícola está abaixo da média devido aos impactos de choques passados, como os impactos do ciclone Freddy nas zonas sul e centro, e as perspectivas de uma colheita abaixo da média para as famílias médias e ricas. Em Cabo Delgado, os recentes ataques e o aumento da tensão estão a afectar as actividades agrícolas que tinham sido retomadas nos distritos de Macomia, Quissanga, Mocímboa da Praia, Muidumbe, Ancuabe, Metuge, Mecúfi e Chiúre, entre outros.

    Conflito e cheias em Cabo Delgado: Após uma redução significativa de eventos de conflito em 2023, como resultado da Operação Vulcão IV, que visava restaurar a estabilidade no norte, o mês de Janeiro de 2024 começou com uma série de ataques nos distritos de Macomia, Muidimbe e Mocímboa da Praia. Mais tarde, em finais de Janeiro e início de Fevereiro, surgiram relatos de movimentações de insurgentes para o sul de Cabo Delgado, nomeadamente nos distritos de Quissanga, Metuge, Ancuabe, Mecúfi e Chiúre, alguns dos quais chegaram até ao rio Lúrio, na fronteira com a província de Nampula, emboscando civis e forças de defesa e segurança ao longo do caminho. Ataques e movimentos esporádicos de grupos armados não estatais em zonas relativamente seguras levaram a uma nova onda de deslocados internos, contrariando a tendência de regresso dos deslocados internos aos seus locais de origem. O aumento da insegurança em partes da província de Cabo Delgado forçou as organizações humanitárias a suspender a assistência humanitária em alguns distritos, como Quissanga e Chiúre, e a suspensão da assistência humanitária poderá ocorrer noutros distritos devido à elevada volatilidade da situação actual. A suspensão da assistência pode prevalecer até que a situação de segurança se torne favorável.

    De acordo com o Relatório de Alerta de Movimentos Nº 101 da Organização Internacional para as Migrações (IOM) , entre 22 de Dezembro de 2023 e 25 de Fevereiro de 2024, ataques esporádicos e o medo de ataques por parte dos grupos armados não estatais em Macomia, Chiure, Mecufi, Mocímboa da Praia e Muidumbe provocaram o deslocamento cumulativo de 71.681 pessoas. No período em análise, os ataques e o medo de ataques por parte dos grupos armados não estatais em Chiúre (Ocua, Mazeze, Chiúre Velho Posto) levaram ao deslocamento de 54.534 indivíduos. As famílias afectadas procuraram refúgio em centros de acolhimento e comunidades de acolhimento nos distritos de Chiúre, Metuge, na província de Cabo Delgado, e Eráti, na província de Nampula. As chegadas de famílias deslocadas foram mapeadas nas aldeias de Chiúre, Mecúfi, Metuge, Meconta, Quissanga, Mueda, Montepuez, Macomia, Muidumbe, Ancuabe, Ibo, Cidade de Pemba, Eráti (na província de Nampula) e Cidade de Nampula, entre outros locais. Devido à preocupação de segurança prevalecente na região relatada pelas famílias deslocadas, a duração pretendida da estadia nos centros de acolhimento e nas comunidades de acolhimento permanece incerta. Os movimentos na região continuam a ser dinâmicos dentro dos distritos e entre Cabo Delgado e Nampula.

    Estes ataques são particularmente preocupantes uma vez que ocorrem durante o pico da estação chuvosa em curso, numa altura em que quase toda a população está envolvida em actividades agrícolas para a produção dos seus próprios alimentos. Devido aos ataques e ao medo de ataques, a população está sendo forçada a abandonar os seus campos agrícolas em busca de locais seguros onde vivem como deslocados internos e dependem de ajuda como fonte de alimentos.

    Para além do conflito, em finais de Janeiro, as bacias hidrográficas dos rios Megaruma e Messalo ultrapassaram os respectivos níveis de Alerta e transbordaram, causando cheias em zonas baixas e graves danos nas vias de acesso. Fortes chuvas continuam em várias partes de Cabo Delgado, inundando campos agrícolas em zonas baixas em vários distritos e causando frequentes situações de intransitabilidade das estradas e limitando o tráfego, particularmente entre Macomia e Awasse e entre Chiúre e Mecúfi. Em Mueda e Macomia, fortes chuvas e inundações destruíram infraestruturas, incluindo abrigo para os deslocados internos nos centros de reassentamento. Com a persistência de fortes chuvas e previsão de mais precipitações, os impactos estão sendo avaliados. No entanto, os parceiros do FSC têm prestado assistência a novos deslocados internos em vários locais de recepção onde as condições de segurança são favoráveis e sempre que os recursos disponíveis o permitem.

    A combinação dos efeitos dos recentes ataques, das fortes chuvas e das cheias localizadas acabou por afectar, em certa medida, o ritmo de recuperação das formas de vida básicas que estava em curso desde o ano passado, incluindo a retoma das actividades agrícolas em áreas que reportavam uma relativa segurança. Em última análise, esta situação está a provocar um aumento das necessidades, exigindo um reforço da capacidade de resposta por parte da comunidade humanitária.

    Preços de milho, farinha de milho, e arroz: Em Janeiro de 2024, os preços do milho permaneceram estáveis, embora muito acima da média de cinco anos e do ano passado. Os preços do milho foram em média 30 por cento superiores aos do ano passado. A maior variação ocorreu em Maputo, onde o preço do milho em Janeiro foi 50 por cento acima do ano passado, e a menor variação ocorreu em Massinga, onde o preço do milho de Janeiro foi 10 por cento acima do ano passado. Em comparação com a média de cinco anos, os preços do milho em Janeiro de 2024 foram entre 10 a 45 por cento superiores, excepto em Montepuez, província de Cabo Delgado, onde os preços do milho foram iguais à média de cinco anos. A estabilidade em Montepuez deve-se ao facto de os preços do milho nos últimos cinco anos terem sido muito elevados por causa do conflito, mas desde o ano passado, uma melhoria relativa na situação de segurança, incluindo o regresso dos deslocados internos aos seus locais de origem e a retoma de algumas actividades agrícolas resultaram na estabilização dos preços dos alimentos.

    Os preços do arroz e da farinha de milho permaneceram relativamente estáveis na maioria dos mercados monitorados entre Dezembro de 2023 e Janeiro de 2024, mas muito acima da média de cinco anos. Os preços do arroz em Janeiro de 2024 foram 5 a 10 por cento superiores aos respectivos preços do ano passado, excepto em Maputo, onde os preços permaneceram estáveis. Em comparação com a média de cinco anos, os preços do arroz em Janeiro de 2024 foram, em média, 30 por cento superiores. A maior variação ocorreu em Nampula, onde o preço do arroz foi 40 por cento superior, enquanto a menor variação ocorreu em Massinga, onde o preço foi 17 por cento superior. Os preços da farinha de milho em Janeiro de 2024 permaneceram estáveis em comparação com o ano passado, mas cerca de 15 por cento superiores, em média, à média de cinco anos. A maior variação foi registada em Massinga, onde o preço da farinha de milho foi 30 por cento superior, enquanto a menor variação foi registada em Maputo, onde o preço foi 10 por cento superior. Em Montepuez, o preço da farinha de milho manteve-se estável em comparação com a média de cinco anos.

    Os preços atipicamente elevados devem-se provavelmente a uma produção abaixo da média causada pelos impactos de múltiplos choques que afectaram o país durante a época agrícola 2022/2023, e ao efeito cumulativo de eventos extremos nos últimos quatro a cinco anos, uma situação que é pouco provável que melhore devido às perspectivas de uma produção abaixo da média este ano.

    Os elevados preços dos alimentos têm tornando cada vez mais difícil a compra de alimentos nos mercados para milhares de famílias pobres, na sequência do esgotamento das suas escassas reservas de alimentos e a prevista fraca produção deste ano devido aos efeitos do El Niño, especialmente nas zonas semiáridas do sul e centro.

    Actividades de autoemprego em curso: Diante das perspectivas de uma produção agrícola abaixo da média e preços elevados, a maioria das famílias mais pobres procura meios alternativos de geração de renda para a compra de alimentos nos mercados locais. Algumas das famílias mais pobres nas zonas rurais continuam a gerar renda através da venda de culturas, embora a preços abaixo da média devido à previsão de uma época abaixo da média. As vendas de animais estão a ocorrer em níveis normais e constituem mais uma opção para as famílias que os possuem (normalmente médias e ricas), embora algumas das famílias mais pobres possuam animais de pequeno porte (incluindo galinhas, patos e, em algumas zonas, cabritos e porcos) e vendem estes animais quando for necessário. A maioria das famílias pobres gera alguma renda através da queima e venda de carvão, uma actividade popular em todo o país. Outras opções de geração de renda incluem a produção e venda de bebidas tradicionais, coleta e venda de produtos florestais, tais como capim e lenha, estacas para construção de casas e caniço. Os membros das famílias com habilidades artesanais ganham dinheiro através da venda de artigos tais como colheres de pau, peneiras, pilões e louça, ou produção e venda de tijolos de barro. As famílias pobres também vendem castanha de caju e outros produtos sazonais, como a melancia, embora a disponibilidade destes produtos este ano esteja abaixo da média devido à precipitação irregular. Contudo, nas zonas semiáridas e remotas do país, as oportunidades de geração de renda para as famílias pobres são limitadas. Para compensar a perda de renda, as famílias pobres nestas zonas estão a expandir as actividades de autoemprego, mas o aumento da concorrência e falta de um mercado têm limitado os níveis de renda. Alguns membros de famílias pobres em zonas com fraca produção migram para os principais centros urbanos, e geralmente de forma ilegal para a República da África do Sul em busca de renda para seu subsequente envio para os seus familiares; no entanto, as remessas da África do Sul têm sido consistentemente mais baixas nos últimos anos devido a dificuldades de emprego naquele país.

    Gripe aviária: A gripe aviária, oficialmente detectada em Moçambique em Outubro de 2023, está sob controlo, e Moçambique poderá ser declarado país livre da gripe aviária em Abril próximo, de acordo com a Direcção Nacional de Desenvolvimento Pecuário (DNDP) do Ministério da Agricultura e Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER). Em Outubro de 2023, a DNDP suspendeu a importação de aves domésticas e selvagens vivas, bem como de produtos avícolas da África do Sul, após o surto de gripe aviária. A medida provocou um rápido aumento de até 45 por cento no preço dos ovos no sul de Moçambique. Segundo a DNDP, o último caso de gripe aviária em Moçambique foi registado em Outubro do ano passado, na província de Inhambane, quando foram abatidas mais de 40 mil aves poedeiras. Actualmente, para além do frango e dos ovos produzidos nacionalmente, o mercado doméstico nacional depende de ovos importados do vizinho Eswatini, o que fez com que os preços caíssem para níveis normais.

    Nutrição: Um inquérito SMART realizado pelo SETSAN em Abril/Maio de 2023 mostrou uma prevalência de GAM de 16 por cento em Palma. Com as projecções do IPC de resultados Críticos (GAM 15 a 29,9 por cento) para Palma para o período (Outubro de 2023 a Março de 2024), a prevalência do GAM pode ter se deteriorado cada vez mais, embora dentro do intervalo (15-29,9 por cento). Este resultado pode ter sido exacerbado pelo esgotamento das reservas de alimentos, resultando na dependência de compras no mercado, agravado por rendas abaixo da média para as famílias muito pobres e pobres, reduzindo o seu poder de compra, comprometendo assim o acesso aos alimentos e, consequentemente, à diversidade alimentar. Doa, Mutarara e Milange tiveram prevalências do GAM de 6, 5,3 e 5,1 por cento, respectivamente, de acordo com o inquérito SMART, e actualmente os níveis do GAM podem ter aumentado para Alerta (GAM 5-9,9 por cento). Com algumas famílias muito pobres em Doa e Mutarara já a adoptarem estratégias de crise, poderão ocorrer resultados graves (GAM 10-14,9 por cento).

    Assistência alimentar humanitária: Em Janeiro de 2024, os parceiros do FSC prestaram assistência alimentar humanitária a aproximadamente 21.491 pessoas em Cabo Delgado e Niassa, representando cerca de 2,4 por cento do total de pessoas alvo. 61 por cento dos beneficiários são de Cabo Delgado e 39 por cento do Niassa. O Programa Mundial de Alimentação e a Iris Global foram as principais organizações que distribuíram alimentos e cobriram 8 distritos em Cabo Delgado e 2 no Niassa. Os beneficiários receberam rações equivalentes a 39 porcento das suas necessidades caloríficas mensais. Cerca de 61 por cento da assistência humanitária foi em espécie e o restante em dinheiro. A partir de Maio deste ano, a assistência alimentar humanitária será interrompida em Nampula. No que diz respeito a assistência à agricultura e às formas de vida, de Outubro de 2023 a Janeiro de 2024 (época agrícola principal), os parceiros do FSC teriam assistido cerca de 241.726 pessoas só em Cabo Delgado (92.468 em Janeiro), das quais cerca de 15 por cento são de comunidades de acolhimento/locais, 13 por cento são deslocados internos e os restantes são famílias mistas.

    A deterioração da situação de segurança está a afectar as acções humanitárias com relatos de suspensão temporária, particularmente em Quissanga e Chiúre, podendo ser retomada a qualquer momento, dependendo da dinâmica no terreno. Por outro lado, os fundos limitados para responder às necessidades cada vez elevadas estão a forçar o Programa Mundial de Alimentação (PMA) a reduzir a assistência alimentar humanitária em 2024. De facto, durante a actual época de escassez, não está prevista nenhuma assistência alimentar humanitária nos distritos de Balama, Ibo, Meluco, Palma, Namuno, Pemba e Mecúfi, podendo a lista aumentar no período pós-colheita. De acordo com o FSC, estima-se que cerca de 341.000 pessoas necessitadas não serão cobertas durante a época de escassez, e cerca de 470.300 pessoas necessitadas não serão cobertas no período pós-colheita. Com fundos limitados, o PMA está a adoptar alguns princípios de focalização e priorização que incluem a priorização dos mais vulneráveis, priorização dos distritos de retorno, mitigação dos factores que levam as pessoas abandonar as suas zonas e a se estabelecerem noutras, concentração de recursos para a relação custo-eficácia, integração de aspectos de sazonalidade e implementação de ajustes baseados em evidências.

    No âmbito do quadro de acções antecipatórias (AA), que visa mitigar os impactos da precipitação abaixo da média nas províncias de Gaza, Tete e Sofala, o PMA, a FAO, o INAM, o INGD, o MADER e o ICS (Instituto de Comunicação Social) estão a cobrir cerca de 270.000 pessoas com mensagens de aviso prévio. O INGD (em parceria com o PMA e a FAO) tem disponibilizado sementes tolerantes à seca através de senhas eletrónicas e em espécie a cerca de 3.020 famílias nos distritos de Guijá e Chibuto desde Outubro de 2023. No âmbito do mesmo quadro, o INAS e o PMA têm realizado transferências monetárias equivalentes a 2.500 Meticais por família para cerca de 11.800 famílias durante 3 meses (acção a ser concluída até Março de 2024) em 9 distritos (5 em Gaza, 2 em Tete e 2 em Sofala).”

    Resultados Actuais de Segurança Alimentar

    A situação de crise (IPC Fase 3) está presente em algumas zonas que foram mais afectadas pelo ciclone Freddy, incluindo os distritos de Mutarara e Doa, na província de Tete, na região centro, onde as famílias mais pobres ainda não recuperaram dos impactos do ciclone. A situação de Crise (IPC Fase 3) também está presente no distrito de Changara, na província de Tete, onde as famílias mais pobres enfrentam dificuldades no acesso a quantidades adequadas de alimentos devido ao rápido esgotamento das reservas de alimentos da época passada, preços dos alimentos acima da média e perspectivas de um fracasso da produção deste ano. Nestas zonas, o atraso no início da época, chuvas irregulares e temperaturas acima da média associadas ao El Niño estão a atrasar a disponibilidade de alimentos verdes e outros alimentos sazonais, como a melancia, que ajudariam a minimizar os défices de consumo de alimentos. A situação de Crise (IPC Fase 3) também está presente nas zonas semiáridas e remotas do sul, onde muitas famílias pobres esgotaram as suas reservas de alimentos pouco depois das colheitas do ano passado e, desde então, dependem de compras no mercado como fonte de alimentos. Contudo, a baixa renda e os preços muito acima da média dos alimentos básicos estão a dificultar o acesso adequado aos alimentos, especialmente para as famílias pobres e muito pobres.

    Em Cabo Delgado, o recrudescimento dos ataques em zonas anteriormente pacificadas desde o final do ano passado e início deste ano, bem como o movimento de grupos armados não estatais mais a sul da província, estão a contrariar o ritmo de recuperação que se esperava com a retoma das actividades agrícolas durante a actual estação chuvosa e agrícola. De facto, os ataques recentes estão a criar novas vagas de deslocados internos que, juntamente com os retornados, estão a colocar enormes desafios à capacidade de resposta da comunidade humanitária. As necessidades continuam elevadas, incluindo a disponibilidade de abrigo e alimentos. A insegurança alimentar aguda pode estar a piorar de “Estresse!” (IPC Fase 2!) e “Estresse” (IPC Fase 2) para Crise (IPC Fase 3) nos distritos de Quissanga, Mecúfi e Chiúre, como resultado da interrupção da assistência humanitária devido ao aumento da insegurança e/ou financiamento limitado. A insegurança alimentar aguda também pode estar a piorar de “Estresse!” (IPC Fase 2!) para Crise (IPC Fase 3) nos distritos de Ibo e Ancuabe, onde a assistência alimentar humanitária não está prevista para 2024, a menos que sejam mobilizados recursos adicionais.

    No restante do país, a situação de “Estresse” (IPC Fase 2) persiste, principalmente devido aos impactos negativos do ciclone Freddy que afectou a produção em 2023, resultando num rápido esgotamento das reservas de alimentos, redução das oportunidades de geração de renda e aumentos acima da média dos preços dos alimentos e os impactos do El Niño este ano. Estes choques combinados estão a dificultar o acesso aos alimentos, incluindo alimentos verdes da época em curso. No entanto, a maioria das famílias ainda consegue satisfazer as suas necessidades alimentares mínimas e enfrenta uma situação de insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1) em todo o país.


    Calendário Sazonal para um Ano Normal
    Seasonal Calendar for a Typical Year

    Fonte: FEWS NET

    Pressupostos

    O cenário mais provável de Fevereiro a Setembro de 2024 está baseado nos seguintes pressupostos a nível nacional:

    • A precipitação de Janeiro até Março (auge da estação chuvosa) poderá estar abaixo da média e irregular, com má distribuição por todo o país, excepto no norte de Moçambique, onde a precipitação poderá estar acima da média. Uma zona de transição de elevada incerteza existe no norte/centro de Moçambique à medida que o impacto do El Niño muda de precipitação reduzida (sul da zona de transição) para aumento de precipitação. Cumulativamente, a estação chuvosa 2023/2024 deverá estar abaixo da média no sul e centro de Moçambique. As temperaturas acima da média são mais prováveis em todo o país até Junho de 2024.
    • Entre Dezembro de 2023 e Março de 2024, poderá ocorrer um número médio para abaixo da média de ciclones em Madagáscar e Moçambique.
    • De Janeiro a Março de 2024, a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) projecta um risco baixo a moderado de cheias na ausência de qualquer actividade ciclónica. Os ciclones podem resultar num risco moderado de cheias na maioria das bacias hidrográficas do centro e na província de Maputo, no sul, enquanto as sub-bacias do Revúbue e Luía, na província de Tete, poderão enfrentar um risco elevado de cheias.
    • Uma precipitação média para abaixo da média e a resultante humidade do solo (Figura 2) em partes do centro e sul do país poderá ter um impacto negativo na época agrícola 2023/2024, resultando em colheitas abaixo da média. No geral, para a época agrícola 2023/2024, espera-se uma colheita abaixo da média a nível nacional, principalmente devido aos efeitos negativos do El Niño.

    Figura 2

    Índice da humidade do Solo, até 10 de Fevereiro 2024
    Soil Water Index, as of February 10, 2024

    Fonte: FEWS NET/USGS

    • A segunda época, que normalmente decorre imediatamente após a época principal e utiliza em grande parte a humidade residual nas zonas baixas, poderá estar abaixo da média, excepto nas zonas mais a sul (sul da província de Maputo) e nas zonas a norte onde a humidade residual poderá estar próxima do normal.
    • Como tem sido normal, existe o potencial de danos nas culturas causados por pragas e doenças, incluindo a lagarta do funil do milho, gafanhotos e roedores, cujo nível de incidência pode ser influenciado pelo comportamento das chuvas; por exemplo, as condições secas nas zonas semiáridas poderão favorecer o aparecimento de roedores e gafanhotos, enquanto as condições húmidas nas zonas que recebem chuvas substanciais (interior da zona norte) terão um maior risco de uma elevada incidência da lagarta do funil do milho.
    • Com base nas projecções de preços da FEWS NET (Figura 3), os preços do milho no mercado nacional de referência de Maputo deverão seguir tendências sazonais, aumentando ligeiramente de Janeiro a Março, e depois diminuindo de Abril a Junho, na sequência da colheita principal de 2024. A partir de Julho, os preços do milho começarão a aumentar à medida que as reservas de milho no mercado começarem a diminuir e a procura por parte das famílias continuar a aumentar. Contudo, os preços do milho permanecerão muito acima da média de cinco anos e do preço do ano passado este ano. É importante notar que os preços do milho em Dezembro de 2023 já estavam a 50 por cento acima dos do ano passado e 44 por cento acima da média de cinco anos. Esta tendência continuará durante o período do cenário devido à produção abaixo da média esperada resultante dos impactos negativos do El Niño. Os preços da farinha de milho e do arroz poderão flutuar dependendo da procura local e da dinâmica da oferta, mas permanecem acima da média de cinco anos e dos preços do ano passado.
    • Durante a campanha de comercialização 2024/2025 (Abril de 2024 a Março de 2025), a colheita nacional abaixo da média que se espera resultará numa disponibilidade de alimentos abaixo da média nos mercados locais e a nível familiar, particularmente nas zonas mais afectadas (especificamente centro e partes do sul do país). A disponibilidade de alimentos abaixo da média também poderá ocorrer noutras zonas afectadas por choques, tais como conflitos, ciclones e cheias. Contudo, o fluxo de produtos alimentares provenientes de zonas de produção excedentária apoiará o abastecimento do mercado e minimizará os défices alimentares locais. As importações do milho poderão aumentar e poderão compensar o défice causado pela perda da produção nacional.
    • Os fluxos comerciais de alimentos básicos poderão ocorrer normalmente ao longo das principais rotas em todo o país, excepto nas zonas mais afectadas pelo conflito em Cabo Delgado, onde os fluxos comerciais serão limitados. Portanto, os mercados do centro e do norte serão abastecidos principalmente pelo milho dos distritos locais ou vizinhos, enquanto os mercados da zona sul serão predominantemente abastecidos pelos mercados da zona centro.
    • O comércio transfronteiriço de milho com a África do Sul deverá estar acima da média, na sequência da disponibilidade abaixo da média em Moçambique, com a produção favorável esperada na África do Sul. O comércio transfronteiriço formal e informal com o Zimbabwe poderá ser médio a acima da média, impulsionado pela procura de produtos básicos mais baratos de Moçambique (arroz, esparguete, farinha e óleo de cozinha), vestuário em segunda mão e outros produtos processados. As exportações de milho para o Malawi, informais e formais, poderão estar abaixo da média, uma vez que a produção de cereais no sul do Malawi deverá estar acima da média.
    • Segundo o FMI, a economia de Moçambique continua a crescer de forma constante. As pressões inflacionistas diminuíram acentuadamente, reflectindo a descida dos preços dos alimentos e dos combustíveis. A situação de segurança no norte melhorou e estão previstas eleições gerais para Outubro de 2024. No entanto, Moçambique enfrenta condições de financiamento interno rigorosas, combinadas com uma restrição de financiamento externo. De acordo com Statista, a taxa média de inflação em Moçambique poderá diminuir de forma contínua entre 2023 e 2028 num total de 1,9 pontos percentuais.
    • O pasto e as condições físicas dos animais poderão permanecer próximas da média durante a estação chuvosa, antes da sua deterioração sazonal durante a estação fresca e seca de Abril/Maio a Setembro. A excepção inclui zonas semiáridas do sul e centro, onde a precipitação abaixo da média poderá afectar a disponibilidade de água e pasto, resultando na deterioração das condições físicas dos animais para abaixo da média. Durante este período, os tamanhos reduzidos dos animais e a disponibilidade de alimentos abaixo da média ao nível das famílias poderão forçar as famílias mais afectadas a vender os seus animais a preços abaixo da média.
    • A disponibilidade de alimentos silvestres permanecerá em níveis próximos dos normais até Setembro, excepto nas zonas semiáridas onde a disponibilidade poderá diminuir para níveis abaixo da média a partir de Junho, devido à humidade do solo abaixo da média. A disponibilidade da colheita verde deverá sofrer um atraso de 20 ou mais dias na maior parte do país devido ao atraso no início da época.
    • As oportunidades de trabalho agrícola permanecerão normais até o início da colheita em Março/Abril, uma vez que as famílias continuam a realizar as actividades agrícolas até ao fim das chuvas. No entanto, a capacidade das famílias médias e ricas de pagar pela mão-de-obra será limitada devido aos impactos da seca induzida pelo El Niño. Nas zonas onde a produção será fracassada ou estará abaixo da média, muitas famílias pobres envolver-se-ão gradualmente no autoemprego para gerar a renda necessária para a compra de alimentos. Contudo, a renda auferida poderá estar abaixo da média devido ao aumento da concorrência nas actividades de geração de renda, incluindo a crescente produção e venda de carvão vegetal.
    • Com o fracasso da época agrícola a tornar-se evidente, a migração para a África do Sul em busca de oportunidades de emprego poderá aumentar para níveis acima da média, especialmente nas zonas semiáridas do sul e centro. Da mesma forma, a migração das zonas rurais para os centros urbanos poderá aumentar, especialmente com os jovens à procura de melhores oportunidades de emprego.
    • A coligação internacional de forças militares poderá continuar as suas operações de contra-insurgência até Setembro de 2024, procurando impedir significativamente as actividades e estratégia dos grupos armados não estatais, que estão actualmente dispersos em pequenos grupos de militantes. Estes grupos poderão continuar a desencadear ataques esporádicos contra alvos civis, incluindo aldeias. Os ataques combinados com os impactos dos choques climáticos, incluindo as cheias, continuarão a causar o deslocamento de famílias e a manter um elevado nível de necessidades humanitárias.
    • A prevalência nacional de GAM tem sido em média de 4,5 por cento nos últimos cinco anos. Uma prevalência de GAM de 4 por cento foi registada no Inquérito Demográfico de Saúde de 2022 a 2023. No entanto, a situação de desnutrição aguda poderá deteriorar-se uma vez que o acesso e a utilização dos alimentos são cada vez mais comprometidos com colheitas abaixo da média no sul e centro de Moçambique devido aos impactos do El Niño, e na maioria das zonas afectadas pelo conflito de Cabo Delgado devido à intensificação do conflito/insegurança, suspensão subsequente da assistência alimentar devido à insegurança e aumento do número de deslocados internos. As oportunidades de trabalho deverão continuar a escassear juntamente com os baixos salários, agravando a incapacidade de compra de alimentos.  Assim sendo, a prevalência nacional de GAM poderá aumentar para Alerta (GAM 5 a 9,9 por cento), precisamente entre 5 e 6 por cento.

    Figura 3

    Preços de milho e projecções em Maputo (MZN/kg)
    Maputo maize grain prices and projections (MZN/kg)

    Fonte: Estimativas d FEWS NET baseadas em dados do MADER/SIMA

    Resultados Mais Prováveis de Insegurança Alimentar Aguda

    No período de Fevereiro a Março (transição da época de escassez para a época da colheita), a situação de Crise (IPC Fase 3) deverá continuar nas zonas mais afectadas pelos choques em 2023, principalmente Mutarara, Doa e Changara na província de Tete, bem como as zonas remotas dos distritos semiáridos da região sul, principalmente Chicualacuala, Chigubo, Guijá, Mabalane, Mapai, Massangena e Massingir na província de Gaza. Nestes distritos, a maioria das famílias pobres esgotou as suas poucas reservas de alimentos antes de Junho de 2023. Estas zonas não têm produção de segunda época, estão longe dos mercados e têm opções limitadas de geração de renda – as pessoas têm de transportar carvão e outros produtos florestais para locais remotos – reduzindo a lucro obtido devido a custos de transporte e/ou preços injustamente baixos ditados pelos compradores. Além disso, as famílias mais pobres normalmente não possuem animais; os poucos agregados familiares com animais de pequeno porte (principalmente galinhas, mas por vezes cabritos, porcos ou ovelhas) vendem o máximo possível para compensar os défices no consumo alimentar.

    Em Abril e Maio a colheita poderá começar, mas não se prevê nenhuma grande recuperação devido aos impactos previstos do El Niño, especialmente na zona centro mais afectada. No sul, alguns distritos poderão melhorar temporariamente para a situação de “Estresse” (IPC Fase 2), mas a maioria das famílias que enfrenta a situação de “Estresse” (IPC Fase 2) não melhorará devido à baixa produção prevista na época 2023/2024.

    Em todo o resto do país (excluindo as zonas de conflito), a insegurança alimentar aguda Mínima (IPC Fase 1) poderá prevalecer para a maioria das famílias pobres e muito pobres. Estas famílias nas zonas rurais poderão enfrentar uma transição normal da época de escassez para o período de colheita, embora com níveis de produção abaixo da média, o que poderá exigir uma suplementação através da compra de alimentos nos mercados locais. Durante este período, a disponibilidade de alimentos silvestres e sazonais, como melancia e abóbora, e o início da colheita verde ajudarão a estabilizar o acesso aos alimentos para as famílias pobres. Espera-se uma melhoria generalizada no acesso aos alimentos em Abril/Maio, na sequência da disponibilidade de alimentos da colheita principal. As famílias pobres e muito pobres em zonas com a produção negativamente afectada pelo El Niño poderão enfrentar “Estresse” (IPC Fase 2), uma vez que satisfazem as suas necessidades alimentares básicas, mas não conseguem cobrir despesas em bens não alimentares.

    De Junho a Setembro de 2024, a Crise (IPC Fase 3) poderá persistir e alastrar-se para novas áreas das zonas semiáridas do sul e centro devido ao fracasso iminente da época agrícola 2023/2024, rendimentos agrícolas significativamente abaixo da média, preços dos alimentos acima da média e aumento da concorrência pelas poucas actividades de geração de renda existentes, das quais a mais popular é a produção e venda de carvão vegetal. No final deste período, de Agosto/Setembro, as famílias mais pobres que vivem em áreas remotas, longe dos mercados e sem animais, recorrerão às estratégias de sobrevivência negativas atipicamente mais cedo, tais como racionalização dos alimentos, através da redução da quantidade de alimentos ou frequência das refeições, dar prioridade do consumo de alimentos às crianças e optar por alimentos menos preferidos.

    Em Cabo Delgado, o aumento da tensão resultante dos recentes ataques e movimentações de grupos armados não estatais continuará a causar o deslocamento da população e a impedir o regresso dos deslocados internos aos seus locais de origem, provocando um aumento das necessidades alimentares e pressão sobre a capacidade de resposta da comunidade humanitária. Por outro lado, a insegurança em alguns distritos vai desencorajar a presença de agências humanitárias e dificultará as acções de resposta aos necessitados. A insegurança alimentar aguda poderá agravar-se devido ao aumento da insegurança e medo de ataques, colocando desafios no acesso aos alimentos para as pessoas em movimento.

    A situação de crise (IPC Fase 3) poderá continuar nos distritos onde as acções humanitárias são interrompidas devido à insegurança, onde não se espera assistência em 2024 e onde a população de deslocados internos está a aumentar – especialmente os distritos de Quissanga, Ibo, Ancuabe, Mecúfi, Meluco e Chiúre – a menos que a situação de segurança se torne favorável e/ou os recursos necessários sejam mobilizados com sucesso. Nos distritos onde se espera a distribuição regular de assistência alimentar, a situação de “Estresse!” (IPC Fase 2!) poderá prevalecer. Alguns distritos fronteiriços da província vizinha de Nampula, incluindo Eráti e parte de Memba, poderão transitar de “Estresse” (IPC Fase 2) para Crise (IPC Fase 3) devido à pressão causada pelo fluxo de deslocados internos que fogem do conflito em Cabo Delgado.

    Eventos que Podem Alterar a Perspectiva

    Tabela 1. Possíveis eventos que nos próximos oito meses podem alterar o cenário mais provável

    ÁreaEventoImpacto nos resultados de seguraça alimentar
    NacionalAusência de assistência alimentar humanitária Na ausência de assistência alimentar humanitária, a desnutrição aguda e a insegurança alimentar poderão aumentar, especialmente durante a estação seca de Junho a Setembro, levando a um aumento da população em Crise (IPC Fase 3) ou resultados piores, particularmente nas províncias de Cabo Delgado e Tete.
    NacionalAcesso limitado a sementes e instrumentos As famílias pobres afectadas pelas cheias poderão ser incapazes de semear no período pós-cheias e na segunda época e, assim sendo, não conseguirão recuperar algumas das culturas perdidas. As famílias poderão continuar dependentes do mercado como fonte de alimentos até à colheita de 2024.
    Áreas de preocupaçãoCaso a produção em zonas de alta produção for fraca e se os comerciantes não responderem à demanda do mercado Os mercados locais ficarão subabastecidos, provocando um aumento dos preços dos alimentos. O acesso aos alimentos para as famílias pobres dependentes do mercado tornar-se-á mais difícil, especialmente nas zonas afectadas pelos choques. O acesso reduzido ao mercado aumentará as disparidades no consumo de alimentos entre as famílias pobres.
    Zonas de conflito de Cabo DelgadoContinuação de ataques em zonas que eram relativamente segurasO número de deslocados internos aumentará, contrariando a tendência desde 2023 de regresso massivo de deslocados internos aos seus locais de origem. Esta situação irá gerar grandes necessidades de assistência humanitária e exigirá que a comunidade humanitária reforce a sua capacidade de resposta.

     


    Áreas de Preocupação - Zona de Formas de Vida Semiárida Central com Algodão e Minerais (MZ15) (Figura 4)

    Situação Actual

    Condições de cultivo/colheita: A época chuvosa e agrícola de 2023/2024 começou com 20 dias de atraso em grande parte da zona de formas de vida. Uma avaliação rápida da FEWS NET no início de Janeiro constatou que as culturas inicialmente semeadas em Outubro/início de Novembro foram perdidas e foram seguidas por múltiplas tentativas de sementeira mal sucedidas. Nesta zona, as culturas em campo encontravam-se na fase de germinação quando já deveriam estar na fase de floração (Figura 5), com poucas hipóteses de completarem o ciclo vegetativo antes do final da época. Como resultado, a maioria das famílias está a concentrar-se na preparação para a produção da segunda época, aumentando a procura de sementes de hortícolas e do milho de ciclo curto.

    Pasto e água: A disponibilidade do pasto e água ainda é adequada, embora irregular, beneficiando-se das chuvas tardias que começaram em Dezembro. Os animais apresentam boas condições físicas e não há relatos de casos preocupantes de doenças de animais, para além da incidência normal de diarreia causada pela contaminação pelo capim molhado.

    Figura 4

    Zona de Formas de Vida Semiárida Central com Algodão e Minerais (MZ15)
    Central Semiarid Cotton and Minerals Livelihood Zone (MZ15)

    Fonte: FEWS NET

    Reservas de alimentos das famílias e acesso: Devido à produção favorável alcançada na última época (2022/2023) em grande parte da zona, algumas famílias ainda têm reservas de alimentos ou renda para a compra de alimentos nos mercados locais, garantindo assim o acesso para satisfazerem as suas necessidades alimentares. As famílias mais pobres esgotaram as suas reservas de alimentos em Setembro/Outubro de 2023, mas a disponibilidade de renda proveniente da venda de gergelim no ano passado garante um nível aceitável de acesso aos alimentos. No entanto, prevalece um cenário pior nos distritos de Doa e Mutarara, que foram mais afectados pelo ciclone Freddy em 2023 – as famílias pobres nestes distritos produziram muito abaixo da média ou não produziram quase nada, e as oportunidades de geração de renda são limitadas devido ao aumento da concorrência e ao baixo poder de compra – levando ao recurso a estratégias de Crise para a compra de alimentos mais cedo em Julho de 2023.

    De acordo com a análise do IPC agudo baseada em dados recolhidos em Abril/Maio de 2023 nos distritos de Changara, Doa, Mágoe e Mutarara, uma média de 50 por cento das famílias tinham reservas de milho que durariam até um máximo de três meses, 25 por cento tinham reservas de milho que podiam durar até quatro a seis meses, e 30 por cento tinham reservas que podiam durar mais de seis meses. Essencialmente, por estas alturas, pelo menos 70 por cento das famílias já esgotaram as suas reservas de milho do ano passado.

    Oferta de alimentos e preços nos mercados: A disponibilidade do milho nos mercados locais está abaixo da média para esta altura do ano. Os produtores já perceberam que a actual época agrícola tende ao fracasso e estão relutantes em vender o seu milho, preferindo guardá-lo para o seu próprio consumo. A procura acima da média, associada a esta baixa oferta, pressionou os preços. A avaliação da FEWS NET feita no início de Janeiro revelou que uma lata de milho no ano passado custou 350 meticais, mas este ano custa entre 500 e 600 meticais. Os preços do milho estão actualmente muito acima da média de cinco anos e dos preços do ano passado (Figura 6).

    Trabalho agrícola e salários: Com múltiplas sementeiras e sachas, a disponibilidade do trabalho agrícola está actualmente próxima dos níveis normais. Contudo, os produtores temem que esta disponibilidade não dure se o desempenho das chuvas não melhorar. Os salários pagos estão abaixo da média, uma vez que as famílias ricas já perceberam a tendência desfavorável da actual época agrícola.

    Autoemprego e estratégias de sobrevivência: Além do trabalho agrícola, um número cada vez maior de famílias está envolvido na exploração dos recursos florestais, incluindo o corte, queima e venda de carvão. Da mesma forma, existe um número crescente de jovens envolvidos em actividades de mineração artesanal que proliferam em toda a zona, geralmente de forma ilegal. A cada ano é notável o crescente número de famílias envolvidas neste tipo de actividade. As famílias mais pobres e com pouca capacidade para a produção de carvão recorrem ao corte e venda de lenha ou caniço, embora estas duas actividades sejam menos lucrativas. Outras actividades incluem o fabrico e venda de tijolos para a construção de casas e a produção e venda de bebidas tradicionais e alimentos silvestres, como o malambe (fruta do embondeiro). A venda de animais como cabritos e galinhas depende da disponibilidade destes animais; muitas famílias muito pobres não têm cabritos, mas vendem algumas galinhas como último recurso. Nos distritos que foram mais afectados pelos efeitos do ciclone Freddy (Mutarara e Doa), as opções de venda de animais são limitadas devido à perda destes.

    Consumo de alimentos: Actualmente, a maioria das famílias pobres da zona enfrenta os efeitos do pico da época de escassez, caracterizada pelo esgotamento total das reservas de alimentos, pouco ou nenhum dinheiro para a compra de alimentos e preços que atingem picos sazonais, resultando em dificuldades no acesso aos  alimentos. A maioria das famílias consome alimentos comprados nos mercados, sendo poucas as que ainda conseguem alimentos das suas próprias reservas. A maioria das famílias mais pobres, com rendas limitadas e sem reservas de alimentos, estão a empregar estratégias de “Estresse”, tais como gastar poupanças, pedir dinheiro emprestado, pedir alimentos emprestados, comprar alimentos a crédito, reduzir despesas não alimentares com saúde (incluindo medicamentos) e educação, vender mais animais em níveis acima do normal, prestar serviços em troca de alimentos, ou reduzir as despesas com fertilizantes, pesticidas, etc. No entanto, nos distritos de Doa e Mutarara, mais afectados pelo ciclone Freddy no ano passado, as famílias mais pobres já estão a adoptar estratégias de Crise, tais como enviar seus membros para comer noutros locais, aumentar o consumo de alimentos silvestres e consumir reservas de sementes que seriam guardadas para a época seguinte. Nos piores casos, as famílias mais vulneráveis ​​e com poucos recursos estão a adoptar estratégias baseadas no consumo de alimentos, tais como saltar refeições, reduzir o tamanho das refeições, pedir alimentos emprestados aos vizinhos ou consumir alimentos menos preferidos, incluindo alimentos silvestres. Alguns dos alimentos silvestres consumidos incluem malambe (fruta de embondeiro), lírio aquático, massanica (balanites) e ussica (tamarindo).

    As actividades pesqueiras ao longo do Rio Zambeze e alguns lagos desempenham actualmente um papel importante como fonte de alimentos e renda em algumas áreas dentro da zona de formas de vida. A pesca beneficia principalmente as famílias médias e ricas, embora as famílias muito pobres estão cada vez mais envolvidas na actividade, apesar das longas distâncias percorridas. O consumo de água para humanos e animais é actualmente bom.

    Devido ao rápido esgotamento das reservas de alimentos resultante da fraca colheita do ano passado, dos preços dos alimentos acima da média e das opções limitadas de geração de renda, muitas das famílias mais pobres nos distritos de Mutarara, Doa e Changara enfrentam dificuldades no acesso a alimentos suficientes para satisfazer as suas necessidades caloríficas mínimas, optando por adoptar estratégias de sobrevivência indicativas de Crise, incluindo a redução do tamanho ou frequência das refeições, dando prioridade às crianças em detrimento dos adultos e consumindo alimentos menos preferidos, incluindo alimentos silvestres. Nestes três distritos, a situação de Crise (IPC Fase 3) deverá persistir devido à produção agrícola abaixo da média esperada na próxima colheita devido aos impactos do El Niño.

    Figura 5

    Uma camponesa mostrando a altura em que o milho estaria a atingir neste momento (Janeiro), Cahora Bassa (esquerda); Sacha, Cahora Bassa (centro); Venda de malambe (fruta de embondeiro) e lenha, Changara (direita), Janeiro de 2024
    A peasant woman showing the height at which maize crops should reach by now (January), Cahora Bassa (left); Weeding, Cahora Bassa (center); Sale of malambe (baobab fruits) and firewood, Changara (right), January 2024

    Fonte: FEWS NET

    Pressupostos

    Para além dos pressupostos a nível nacional, os pressupostos seguintes se aplicam a esta área de preocupação:

    • Baixas reservas de alimentos das famílias: Com a perspectiva de uma colheita abaixo da média, as reservas de alimentos das famílias também estarão abaixo da média.
    • Níveis salariais abaixo da média: Devido a baixas expectativas da colheita de 2024, e renda relativamente abaixo da média das famílias médias e ricas, os níveis salariais poderão estar abaixo da média. Outros salários (não-agrícolas) também permanecerão abaixo da média uma vez que as famílias médias e ricas pagarão abaixo do normal porque também foram afectadas pela produção abaixo da média, sua principal fonte de renda.
    • Aumento do auto emprego: Como estratégia para a geração de renda para compras no mercado, as famílias pobres nestas áreas têm intensificado atipicamente o seu auto emprego para níveis acima da média para ganhar o dinheiro necessário para compra de alimentos no mercado. Esta tendência poderá continuar durante todo o período do cenário.
    • Preços do milho acima da média: Durante o período do cenário, os preços do milho poderão permanecer acima da média de cinco anos e dos preços do ano passado em 74 por cento e 30 por cento em média, respectivamente (Figura 6).
    • Alimentos abaixo da média conseguidos através de ofertas: Com reservas de alimentos abaixo da média nas famílias médias e ricas, os alimentos conseguidos através de ofertas pelas famílias muito pobres estarão abaixo da média.

    Figura 6

    Preços de milho e projecções em Mutarara (MZN/kg)
    Mutarara maize grain prices and projections (MZN/kg)

    Fonte: FEWS NET estimates based on MADER/SIMA data

    Resultados Mais Prováveis de Segurança Alimentar

    De Fevereiro a Abril de 2024, a situação de Crise (IPC Fase 3) irá prevalecer nos distritos de Mutarara, Doa e Changara, que serão mais afectados pela fraca produção. A situação de “Estresse” (IPC Fase 2) prevalecerá em muitos dos distritos da região centro, uma vez que os poucos alimentos disponíveis poderão estabilizar os níveis de insegurança alimentar. As famílias mais pobres nesta zona poderão continuar a enfrentar restrições no acesso aos alimentos. Devido ao atraso no início da época/chuvas, espera-se uma produção significativamente abaixo da média durante este período. Estas famílias terão de depender mais da compras de alimentos no mercado do que o habitual, mas a renda limitada devido a choques recentes e anteriores e aos preços dos alimentos atipicamente elevados limitarão o poder de compra. Para obterem dinheiro adicional, estas famílias poderão aumentar a venda dos seus animais caso os possuam, principalmente cabritos e galinhas, e intensificarão as actividades de autoemprego, principalmente a produção e venda de carvão vegetal, que aumentou nos últimos anos à custa da degradação ambiental. Contudo, o aumento da concorrência (oferta) manterá os níveis de renda próximos ou abaixo da média. Durante este período, as famílias pobres mais afectadas serão forçadas a utilizar estratégias de sobrevivência de Estresse, tais como abandonar despesas em bens não essenciais, optar por alimentos menos preferidos, ou nas áreas mais afectadas (distritos de Doa e Mutarara), empregar estratégias de Crise, incluindo saltar refeições ou reduzir a quantidade de alimentos, resultando em défices no consumo de alimentos. O consumo de alimentos silvestres poderá aumentar durante este período para compensar os défices, mas a disponibilidade destes também deverá estar abaixo da média devido às chuvas irregulares, períodos de seca e elevada procura. Embora seja ilegal em algumas áreas protegidas, a caça é uma importante fonte de alimentos para as famílias pobres em partes remotas da zona, mas esta actividade é praticada por um número limitado de famílias. A pesca contribuirá como fonte de alimentos e renda para as famílias pobres com acesso às zonas pesqueiras.

    A situação de Crise (IPC Fase 3) poderá emergir em outros distritos semiáridos, incluindo Cahora Bassa, Mágoe, Marara, Moatize e Chiúta, devido ao rápido esgotamento das reservas mínimas de alimentos da colheita principal. A pequena colheita da época principal e o declínio sazonal nos preços dos alimentos básicos não melhorarão significativamente o acesso aos alimentos para as famílias mais pobres. Muitas destas famílias não colherão quase nada e continuarão a depender fortemente do auto emprego para ganhar dinheiro para compras no mercado; no entanto, a renda obtida não será suficiente para compensar os défices no consumo de alimentos. Ao longo do tempo, um número cada vez maior de famílias pobres terá dificuldades no acesso aos alimentos; até Julho, a maioria das famílias terá esgotado as suas reservas de alimentos. Por volta de Agosto, mais famílias poderão depender dos mercados para compra de alimentos, provocado um aumento da procura e dos preços dos alimentos. O acesso aos alimentos no mercado será limitado pelos preços atipicamente elevados, especialmente dos alimentos básicos, como o milho. No geral, espera-se uma disponibilidade de alimentos abaixo da média, tanto a nível das famílias como do mercado. Para ganhar dinheiro para compra de alimentos, as famílias pobres continuarão a empregar e a intensificar as actividades de geração de renda que normalmente usam durante a época de escassez, mas a renda obtida e o nível de oportunidades poderão estar abaixo da média, dada a concorrência e poder de pagamento abaixo da média das famílias médias e ricas. O consumo de alimentos silvestres poderá aumentar, mas a sua disponibilidade estará abaixo da média. Durante este período, mais famílias pobres em outros distritos (incluindo Changara e Marara) começarão gradualmente a enfrentar a Crise (IPC Fase 3), especialmente no final do período do cenário.


    Resultados mais prováveis ​​em matéria de segurança alimentar e áreas que recebem níveis significativos de assistência humanitária

    Citação recomendada: FEWS NET. Moçambique Previsão de Segurança Alimentar Fevereiro - Setembro 2024: Necessidades humanitárias poderão permanecer elevadas até Setembro de 2024 devido ao El Niño e conflito, 2024.

    Para projectar as condições de segurança alimentar ao longo de um período de seis meses, a FEWS NET desenvolve um conjunto de pressupostos sobre eventos prováveis, seus efeitos e as respostas prováveis de diversos actores. A FEWS NET analisa esses pressupostos, no contexto das condições actuais e formas de vida locais para desenvolver cenários estimando as condições de segurança alimentar. Normalmente, a FEWS NET reporta o cenário mais provável. Para saber mais, clique aqui.

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