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- Nas regiões do norte, particularmente as províncias de Cabo Delgado e Nampula, afectadas pelo conflito, a insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) poderá persistir até Maio de 2026. Em Novembro, o aumento da violência por grupos armados não estatais (GANEs) nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula, levou ao deslocamento da população, destruição de casas, saques e vítimas civis. Muitas famílias fugiram para florestas próximas ou se instalaram em outros distritos devido ao medo de novos ataques, o que impede o exercício de actividades de subsistência. Por outro lado, um surto de cólera em Memba, coincidindo com o início da estação chuvosa e período típico de escassez, tem estado a agravar ainda mais a insegurança alimentar aguda. As reservas de alimentos estão esgotadas e as famílias enfrentam um aumento dos preços dos alimentos básicos, reduzindo o seu poder de compra. Em Cabo Delgado, nos locais onde a assistência humanitária atinge pelo menos 20 por cento da população e cobre pelo menos 25 por cento das necessidades calóricas mensais, espera-se uma insegurança alimentar aguda de Estresse! (IPC Fase 2!) até Março de 2026.
- Nas regiões semiáridas do sul e do centro, a Crise (IPC Fase 3) poderá persistir pelo menos até Março de 2026. Esta situação é agravada pelo início do período típico de escassez, de Outubro a Março. Os preços dos alimentos básicos estão acima da média e continuam a subir, diminuindo o poder de compra das famílias pobres. As oportunidades de geração de renda são limitadas, embora as oportunidades referentes ao trabalho agrícola possam aumentar com o início das chuvas sazonais, como tem sido habitual. Além do trabalho agrícola, muitas famílias continuarão a recorrer à produção e venda de carvão; no entanto, esta estratégia só é viável para comunidades localizadas próximas de grandes mercados. Em muitas regiões remotas, as famílias pobres têm poucas opções de renda para além do trabalho agrícola, quando disponível, e são forçadas a recorrer a estratégias de sobrevivência negativas, como reduzir a frequência das refeições, priorizar a alimentação das crianças, depender do apoio de familiares e aumentar o consumo de alimentos silvestres para a sua sobrevivência.
- Em Novembro de 2025, chuvas moderadas a fortes marcaram o início da estação chuvosa e agrícola principal 2025/26. A maioria das regiões recebeu humidade suficiente para as culturas recém-semeadas, com a excepção de partes de Cabo Delgado e Nampula, no norte. A previsão climática sazonal actualizada para o período de Outubro a Dezembro indica uma precipitação acima da média para a maior parte do país, excepto o sul, onde se espera uma precipitação abaixo da média. De Janeiro a Abril, prevê-se uma precipitação média a acima da média em todo o país. A probabilidade de inundações excessivas no sul de Moçambique poderá aumentar com a chegada da época de ciclones tropicais em Novembro e Dezembro, com níveis de água superficial já elevados. Por outro lado, prevê-se temperaturas acima da média, particularmente no norte de Moçambique.
- Os preços do milho no sul de Moçambique continuam a ser uma preocupação, excedendo a média dos últimos cinco anos em mais de 50 por cento em Outubro de 2025, embora relativamente estáveis em comparação com o ano passado. O aumento de preços deve-se principalmente à oferta abaixo da média no mercado, na sequência de dois anos consecutivos de más colheitas, o que limita o acesso aos alimentos nos mercados pelas famílias mais pobres. Nas regiões do centro e norte, os preços do milho situaram-se entre 10 por cento e 30 por cento abaixo da média dos últimos cinco anos e entre 30 por cento e 40 por cento abaixo da média do ano passado, sustentados por colheitas médias a acima da média, o que aumentou o acesso das famílias mais pobres aos alimentos. No entanto, os preços do milho subiram entre 6 por cento e 20 por cento entre Setembro e Outubro em todo o país, seguindo as tendências sazonais. Por outro lado, os preços do arroz estiveram entre 30 por cento e 70 por cento acima da média dos últimos cinco anos e entre 10 por cento e 40 por cento acima do nível do ano passado nas regiões sul e centro, mantendo-se estáveis no norte. Os preços da farinha de milho estiveram entre 5 por cento e 25 por cento acima da média dos últimos cinco anos, embora semelhantes aos níveis do ano passado.
- Em Outubro, os parceiros do Grupo de Segurança Alimentar (FSC) de Moçambique reportaram que a assistência alimentar alcançou cerca de 325 mil pessoas, sendo 92 por cento afectadas pelo conflito e 8 por cento pelos ciclones em Nampula. A assistência alimentar humanitária cobriu quase 40 por cento das necessidades calóricas mensais dos beneficiários afectados pelo conflito e até 80 por cento para os beneficiários afectados pelo Ciclone Jude. Em Novembro, o PMA prestou assistência de emergência a pessoas recém-deslocadas em Nampula, embora o número de beneficiários em Cabo Delgado tenha diminuído de 550 mil para 425 mil devido a restrições de financiamento. A assistência deverá continuar em distritos como Macomia, Muidumbe, Nangade e Quissanga. O PMA necessita de quase 80 milhões de dólares nos próximos seis meses (Novembro de 2025 a Abril de 2026) para fornecer kits completos de alimentos a 500 mil pessoas; sem esse financiamento adicional, poderão ocorrer novas reduções na assistência.
Citação recomendada: FEWS NET. Moçambique Atualização da mensagens-chave Novembro 2025: Necessidades humanitárias aumentam em meio ao agravamento dos ataques no norte de Moçambique, 2025.
This Key Message Update provides a high-level analysis of current acute food insecurity conditions and any changes to FEWS NET's latest projection of acute food insecurity outcomes in the specified geography. Learn more here.