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- No final de 2024, a FEWS NET projectou que vários distritos enfrentariam insegurança alimentar aguda de Crise (IPC Fase 3) até Março de 2025: no sul e centro de Moçambique (principalmente devido à seca induzida pelo El Niño de 2023/24) e em Cabo Delgado, no norte (principalmente devido ao conflito em curso). As zonas de maior preocupação incluíam zonas semiáridas nas regiões centro e sul (remotas com acesso limitado ao mercado) e as afectadas pelo conflito no sudeste de Cabo Delgado. Em zonas menos afectadas por choques, foi prevista uma situação de “Estresse” (IPC Fase 2) ou Mínima (IPC Fase 1), particularmente em zonas de produção excedentária, como Niassa, oeste de Nampula, Zambézia, norte de Tete e províncias de Sofala e Manica. Em Abril/Maio, esperava-se que a produção de 2025 resultasse em melhorias no acesso aos alimentos em grande parte do país, resultando em insegurança alimentar aguda de “Estresse” (IPC Fase 2) e Mínima (IPC Fase 1). No entanto, nas zonas afectadas pelo conflito no norte, esperava-se que as condições de segurança alimentar continuassem preocupantes.
- A melhora sazonal prevista para a época agrícola 2024/25 deverá ser de curta duração devido a precipitações irregulares e temperaturas acima da média, que afectaram negativamente os rendimentos agrícolas. Por outro lado, três ciclones tropicais afectaram a região norte (o Ciclone Chido em meados de Dezembro de 2024; o Ciclone Dikeledi em meados de Janeiro de 2025; e o Ciclone Jude no início de Março de 2025). No geral, estes choques consecutivos resultaram em níveis de produção abaixo da média, mortes de pessoas e animais e danos à infraestrutura. A produção de hortícolas até Setembro poderá aumentar temporariamente o acesso localizado aos alimentos nas zonas com condições para segunda época. Como resultado, a população necessitada poderá estar acima da média e poderá aumentar consideralmente até o final de 2025, uma vez que muitas famílias pobres no sul poderão começar a depender dos mercados pelo menos dois meses antes do normal.
- O deslocamento induzido pelo conflicto continua no norte de Moçambique. De acordo com uma avaliação feita pela Organização Mundial para as Migrações, entre Fevereiro e Março de 2025, mais de 609 mil deslocados internos e aproximadamente 701.500 regressados estiveram presentes em 400 locais em todo o país. A província de Cabo Delgado alberga 70 por cento dos deslocados internos, com 48 por cento em comunidades de acolhimento e 52 por cento em centros de deslocados. Recentemente, insurgentes apoiados pelo Estado Islâmico têm intensificado as suas acções no oeste do distrito de Macomia e estão a se expandir para o sul de Cabo Delgado, aumentando a insegurança. Relatos indicam que os grupos estão a estabelecer bloqueios e a exigir resgates, forçando as comunidades próximas a fugir em busca de segurança e a abandonar as suas machambas e actividades típicas de subsistência. Os deslocados internos dependem principalmente de assistência alimentar, embora alguns também estejam empenhados em trabalhos ocasionais ou agrícolas, venda de lenha ou agricultura de pequena escala para complementar as suas formas de vida.
- De acordo com a Deutsche Welle, protestos eclodiram em todo o país entre o fim de Outubro a Dezembro 2024 devido a suposta fraude nas eleições de 9 de Outubro, afectando principalmente as zonas urbanas como Maputo e Matola. As manifestações levaram a actos de vandalismo, encerramento de empresas e interrupções na cadeia de suprimentos. A Confederação das Associações Económicas de Moçambique reportou que 40 por cento da infraestrutura industrial foi danificada, afectando cerca de 500 empresas e 12 mil trabalhadores. A agitação causou perdas generalizadas de empregos, aumentando o emprego informal, criminalidade e mendicidade. Mais de 7 mil pessoas que haviam fugido da violência pós-eleitoral em Morrumbala (província da Zambézia) e Mutarara e Doa (província de Tete) para o sul do Malawi regressaram para o seus locais de origem até o princípio de Março de 2025. Para apoiar a sua integração, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique mobilizou assistência alimentar e não alimentar. Populações anteriormente deslocadas agora retomaram para as suas actividades típicas de subsistência.
- De acordo com o Grupo de Segurança Alimentar, até Junho, foi prestada assistência alimentar a aproximadamente 56.300 pessoas afectadas pelo conflito e 62 mil pessoas afectadas por ciclones na província de Cabo Delgado, bem como a 165 mil pessoas em zonas afectadas pela seca nas regiões sul e centro. A assistência alimentar cobriu cerca de 40 por cento das necessidades caloríficas mensais dos beneficiários nas zonas afectadas pelo conflito. O kit de Distribuição Geral de Alimentos, destinado à resposta ao Ciclone Chido, sustenta adequadamente os beneficiários durante um mês, cobrindo quase 80 por cento das necessidades caloríficas diárias. Apoio agrícola foi prestado a 700 beneficiários afectados pelo conflito, mais de 41 mil indivíduos afectados por ciclones, e apoio à geração de renda foi prestado a cerca de 4.720 indivíduos afectados pelo conflito/seca. A assistência alimentar de emergência deverá continuar até Outubro, mas deverá diminuir em aproximadamente 20 por cento em Cabo Delgado devido à limitação de recursos. Reduções adicionais de cerca de 25 por cento poderão ocorrer a partir de Novembro.
- A estimativa da produção agrícola nacional para a época 2024/25 ainda aguarda a sua divulgação oficial. No entanto, dados do Índice de Satisfação das Necessidades Hídricas (WRSI) (Figura 1) mostram uma melhoria sazonal nas regiões norte e centro, com variação mínima no sul em relação ao ano passado. O Serviço Agrícola Externo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América prevê a disponibilidade de milho para o ano de consumo 2025/26 em cerca de 1,8 milhão de toneladas, um aumento em relação a 1,4 milhão de toneladas do ano anterior, próximo à média de cinco anos, mas 22 por cento abaixo da necessidades anuais; o défice poderá ser coberto por importações, principalmente da África do Sul e de mercados internacionais. O défice é atribuído a condições climáticas adversas e infestações de pragas. O Ministério da Agricultura reporta que mais de 550 mil hectares de culturas foram danificados, cerca de 10 por cento da área total semeada e afectando mais de 660 mil agricultores.
Figura 1
Fonte: USGS/FEWS NET
- Em Junho, os preços do milho em Maputo permaneceram acima da média: 27 por cento e 65 por cento acima do nível do ano passado e da média dos últimos cinco anos, respectivamente, visto que a oferta do mercado permanece atipicamente baixa. Os preços do arroz e da farinha de milho também aumentaram 55 por cento e 70 por cento e 10 por cento e 13 por cento, respectivamente, em comparação com o ano passado e a média dos últimos cinco anos. Em Montepuez, Cabo Delgado, os preços do milho baixaram na ordem de 47 por cento em relação ao ano passado devido ao aumento da produção; no entanto, os preços de produtos processados, como a farinha de milho e o arroz, permanecem altos. Na região centro, os preços do milho são inferiores aos do ano passado e próximos da média dos últimos cinco anos, mas os preços da farinha de milho e do arroz estão na ordem de 13 por cento a 25 por cento acima da média dos últimos cinco anos e 15 por cento a 35 por cento acima da média dos últimos cinco anos, respectivamente. Os aumentos de preços estão a afectar particularmente as famílias dependentes do mercado, reduzindo seu poder de compra.
Citação recomendada: FEWS NET. Moçambique Atualização da mensagens-chave Julho 2025: Melhorias sazonais poderão ser de curta duração na sequência de colheitas abaixo da média em 2025, 2025.
This Key Message Update provides a high-level analysis of current acute food insecurity conditions and any changes to FEWS NET's latest projection of acute food insecurity outcomes in the specified geography. Learn more here.