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Actualização da Perspectiva de Segurança Alimentar

Condições de seca devido ao El Niño poderão prolongar a época de escassez e deteriorar a situação de segurança alimentar

Decembrie 2015
2015-Q4-3-1-MZ-en

CIF 2.0 Fase de Insegurança Alimentar Aguda Baseado

1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Poderia ser pior sem a assistência humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a CIF. A análise compatível com a CIF segue os protocolos fundamentais da CIF mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.

CIF 2.0 Fase de Insegurança Alimentar Aguda Baseado

1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
A maneira de classificação que utiliza FEWS NET é compatível com a CIF. A análise compatível com a CIF segue os protocolos fundamentais da CIF mas não necessariamente reflete o consenso dos parceirosnacionais com respeito a segurança alimentar.
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa CIF para representar a classificação mais alta da CIF nas áreas de preocupação.

CIF 2.0 Fase de Insegurança Alimentar Aguda Baseado

Países com presença:
1: Minima
2: Stress
3: Crise
4: Emergência
5: Fome
Países sem presença:
1: Minima
2: Stress
3+: Crise ou pior
Poderia ser pior sem a assistência
humanitária em vigor ou programad
Para os países de Monitoreo Remoto, FEWS NET utiliza um contorno de cor no mapa CIF para representar a classificação mais alta da CIF nas áreas de preocupação.

As mensagens-chave

  • Condições de seca ocorridas na fase de desenvolvimento das culturas no meio da época de 2015, em partes da região sul, resultaram na redução dos níveis de produção, bem como escassez significativa de água para o consumo humano e animal. A combinação destes choques e o actual início tardio da época agravaram os níveis de insegurança alimentar para as famílias pobres em partes das províncias de Gaza, Inhambane, Sofala e Niassa, que enfrentam uma situação de Crise (IPC Fase 3) pelo menos até a disponibilidade de alimentos verdes em 2016.

  • O El Niño em curso levou a um atraso de cerca de 40 dias no início das chuvas em grande parte do centro e sul de Moçambique. As chuvas irregulares também afectaram as sementeiras, e danificaram culturas semeadas de acordo com o calendário normal. O fenômeno El Niño provavelmente irá limitar as chuvas no sul e centro de Moçambique durante toda a estação chuvosa que termina em Março/Abril de 2016.

  • Embora os preços do grão de milho estivessem 60 a 70 por cento acima da média de cinco anos na maioria dos mercados monitorados em Novembro, os preços de alguns substitutos alimentares comercializados tais como a mandioca, farinha de milho e arroz permanecem em níveis próximos da média de cinco anos e do ano passado.

Situação actual

Os resultados da avaliação nacional de segurança alimentar realizada em Novembro de 2015 pelo Grupo de Avaliação da Vulnerabilidade (GAV) do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN) e parceiros, incluindo a FEWS NET, PMA, e Visão Mundial, indicam que aproximadamente 176 mil pessoas encontram-se numa situação de insegurança alimentar e necessitam de assistência humanitária para ajudá-las a proteger as suas formas de vida e reduzir os défices na dieta alimentar. A grande maioria da população identificada (93 por cento) é das províncias de Gaza e Inhambane, com outras populações em situação de insegurança alimentar aguda identificadas nas províncias de Sofala e Niassa. A estimativa de Novembro representa um aumento de 28 por cento dedee Maio de 2015, quando 138 mil pessoas foram identificadas aproximadamente nos mesmos distritos na sequência de choques climatéricos, incluindo cheias e chuvas intensas em partes das regiões centro e norte, e seca no sul. O relatório de Novembro também indica que cerca de 575 mil pessoas poderão entrar numa situação de insegurança alimentar nos próximos meses, dependendo da evolução sazonal.

Os preços do grão de milho de Novembro situaram-se entre 18 a 73 por cento acima da média de cinco anos nos mercados monitorados, com aumentos observados a partir de Outubro (Tabela 1). Embora a subida dos preços seja normal nesta altura no ano de consumo, as alterações foram mais acentuadas em muitos mercados. No entanto, os preços de alguns alimentos básicos substitutos de milho, tais como a mandioca, farinha de milho e arroz, permanecem próximos da média nos mercados monitorados.

Até ao momento, o início efectivo da época chuvosa tardou por mais de 40 dias em partes das regiões centro e sul. Por outro lado, longos períodos de estiagem afectaram seriamente as culturas semeadas no início da época, com casos de perda de culturas reportados em partes do centro e sul de Moçambique. As zonas mais afectadas em termos de ocorrência de seca precoce incluem o interior das províncias de Gaza e Inhambane, e grande parte da região centro, incluindo as províncias de Sofala, Manica e Tete, onde a estação chuvosa começou muito mais tarde. Recomenda-se uma monitoria da situação nestas zonas. Na região norte, foram observadas chuvas moderadas a intensas dentro do calendário normal.

Pressupostos actualizados

A maior parte dos pressupostos utilizados para desenvolver o cenário mais provável para a Perspectiva de Outubro 2015 a Março 2016 continua válida. A excepção inclui o facto de o atraso previsto relativamente ao início das chuvas e distribuição errática ter sido pior do que o previsto.

Perspectiva projectada ate Março de 2016

Para a maior parte do país, esperam-se condições Mínimas (IPC Fase 1) pelo menos até Março de 2016. No entanto, uma situação de Crise (IPC Fase 3) poderá prevalecer durante todo o período em partes da Zona de Formas de Vida Semi-árida de Cereais e Gado do Sul, e partes do distrito de Govuro na Província de Inhambane e distrito de Machanga na Província de Sofala, conforme descrito abaixo:

Dezembro 2015-Março de 2016: As famílias pobres enfrentam uma situação de Crise (IPC Fase 3) em partes dos distritos de Chigubo, Massangena, Chicualacuala, Mabalane e Massingir na Província de Gaza, distritos de Mabote, Funhalouro, Panda, e Govuro na Província de Inhambane, e no distrito de Machanga na Província de Sofala. As condições secas registadas durante a principal época do ano passado, as quais resultaram numa diminuição do desempenho das culturas, fracasso das culturas, e escassez significativa de água para consumo humano e animal, bem como o fraco início da actual época, resultaram em défices de consumo e de protecção das formas de vida de muitas famílias pobres nestas zonas. Assistência humanitária é urgentemente necessária até a colheita da época principal de 2015/2016 em Março/Abril próximos.

As famílias pobres esgotaram as suas reservas de produção própria por volta de Junho, um ou dois meses mais cedo do que o normal, e estão actualmente dependentes de compras. Os preços do grão de milho de Novembro em Chókwe, um dos principais mercados de referência para a região sul, estiveram a 47 por cento acima da média de cinco anos. No entanto, os preços dos alimentos básicos substitutos, tais como o arroz e farinha de milho, permanecem próximos da média. As famílias pobres são particularmente vulneráveis aos altos preços dos alimentos devido a oportunidades de renda limitadas, e irão empregar uma variedade de estratégias de sobrevivência para garantir o seu acesso aos alimentos. As estratégias incluirão o aumento da venda de produtos naturais, tais como palha, estacas para construção, caniço e lenha; produção e venda de carvão vegetal; e venda de aves de capoeira, bebidas tradicionais, e outros bens e artesanato. As famílias muito pobres incapazes de aplicar as estretégias de sobrevivência acima descritas devido a baixa disponibilidade de mão-de-obra irão aumentar o consumo de alimentos silvestres. Algumas famílias vão receber ofertas e remessas de familiares que vivem nos grandes centros urbanos e na África do Sul, uma prática que se intensifica durante os períodos festivos no final do ano.

O período de sementeiras em curso está a proporcionar um aumento sazonal de oportunidades de trabalho agrícola, que poderá manter-se próximo dos níveis normais dada a ocorrência de várias tentativas de cultivo e sementeira, impulsionadas pela ocorrência de chuvas erráticas. No entanto, o rendimento gerado através da intensificação das estratégias típicas de sobrevivência tem poucas possibilidades de ser suficiente para a compra dos alimentos necessários para as famílias pobres, as quais continuarão a enfrentar défices de protecção das suas formas de vida. Os programas de assistência social em curso, bem como a distribuição de alimentos e água pelo governo e seus parceiros como parte da resposta humanitária, deverão continuar durante este período. As intervenções permitirão que muitas famílias pobres nas zonas afectadas possam preservar os seus bens vitais.

Apesar do fraco início da estação chuvosa e expectativas de continuação de uma precipitação abaixo da média, a disponibilidade de água para uso humano e animal vai melhorar à medida que a estação evolui. A humidade poderá ser suficiente e favorável ao surgimento de uma variedade de alimentos silvestres, incluindo raízes silvestres (xicutso e matiwo), frutos silvestres (n'kuacua, Malambe e massala), e suco de frutos silvestres (utchema). Estas fontes vão melhorar gradualmente o acesso aos alimentos durante o período da perspectiva até a provável disponibilidade da colheita verde em Março de 2016. Devido à previsão de chuvas erráticas nas regiões sul e centro, relacionadas com o impacto do El Niño em curso, muitas famílias terão que se envolver em sementeiras sucessivas, uma prática que tem sido usada devido à incerteza em relação ao início efectivo da época. Uma disponibilidade pontual e adequada de insumos agrícolas é crucial durante este período, em curso, que poderá durar até finais de Janeiro.

Acerca Deste Relatorio

Este relatório mensal cobre condições actuais assim como mudanças na perspectiva projectada sobre insegurança alimentar neste país. Actualiza a Perspectiva de Segurança Alimentar trimensal da FEWS NET. Mais informações sobre o nosso trabalho aqui.

About FEWS NET

A Rede de Sistemas de AlertaPrecoce de Fome é líder na provisão de alertas precoces e análises relativas à insegurança alimentar. Estabelecida em 1985 com o fim de auxiliar os responsáveis pela tomada de decisões a elaborar planos para crises humanitárias, a FEWS NET provê análises baseadas em evidências em cerca de 35 países. Entre os membros implementadores refere-se a NASA , NOAA, USDA e o USGS, assim como a Chemonics International Inc. e a Kimetrica. Leia mais sobre o nosso trabalho.

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