Integrated Phase Classification

A utilização da Classificação Integrada de Fases (IPC, na sigla em inglês) representa um marco na luta contra a insegurança alimentar. A IPC, amplamente aceite pela comunidade internacional, descreve a severidade das emergências alimentares. Esta escala de cinco fases tem como base normas e linguagem comuns e visa auxiliar os governos e outras partes interessadas de assistência humanitária a entender, de forma célere, a existência de uma crise (ou potencial crise) e a tomar medidas apropriadas.

Em conjunto com esta escala, a IPC provê um quadro para consenso técnico, protocolos para classificação, ferramentas para comunicação e métodos de garantia de qualidade. Na prática, embora os analistas usem diversos métodos de recolha e análise de dados (como, por exemplo, preços de alimentos, calendários sazonais, pluviosidade, avaliações rápidas de segurança alimentar, etc.), com a IPC, podem descrever as suas conclusões utilizando uma linguagem e normas uniformes e equivalentes. Esta abordagem harmoniosa é particularmente útil para estabelecer comparações entre países e regiões, e ao longo do tempo.

A IPC foi concebida por uma parceria global entre órgãos governamentais e organizações não governamentais. A FEWS NET, líder na provisão de alertas precoces e análises de insegurança alimentar aguda, contribuiu activamente para a concepção e implementação da IPC. A IPC Versão 3.0 foi lançada oficialmente em 2019 como actualização da IPC  2.0. A FEWS NET usa a IPC 3.0 para descrever a severidade prevista de insegurança alimentar aguda nos seus relatórios e mapeamentos.

Fases da IPC

A IPC permite aos analistas classificar agregados familiares e áreas, de acordo com uma escala de cinco fases. Os pontos essenciais de cada fase são enunciados nas descrições das fases, apresentadas no quadro abaixo. A classificação baseia-se na convergência de dados e evidências disponíveis, incluindo indicadores relacionados com o consumo de alimentos, meios de subsistência, desnutrição e mortalidade. Com base nas evidências, os analistas usam os quadros de referência da IPC, os quais apresentam limiares de referência para cada uma das cinco fases, para classificar a severidade da situação corrente ou projectada de segurança alimentar. A classificação de Fome (Fase 5 da IPC), a quinta fase da insegurança alimentar, é um processo técnico rigoroso que exige conclusões analíticas  que satisfaçam três critérios específicos:

  • Pelo menos um em cada cinco agregados familiares sofre uma falta extrema de alimentos
  • Mais de 30% das crianças com menos de cinco anos de idade sofrem de desnutrição aguda (definhamento)
  • Pelo menos 2 pessoas em cada 10.000 morrem diariamente

Os mapas da IPC reflectem a classificação das fases e o protocolo de mapeamento da assistência alimentar humanitária: se há um nível significativo de assistência alimentar humanitária a ser prestado actualmente/ou projectado numa área, é mapeado com um símbolo de saco de trigo. A FEWS NET também produz mapas compatíveis com a IPC:  se a classificação das fases fosse provavelmente pior na ausência da assistência alimentar humanitária, em curso ou projectada, isso seria indicado no mapeamento com um ponto de exclamação.

Descrições da Fase de Insegurança Alimentar Aguda da IPC (Área)

FASE 1
Mínima

Os agregados familiares conseguem satisfazer as necessidades essenciais alimentares e não-alimentares sem recorrer a estratégias atípicas e insustentáveis para acederem a alimentos e rendimento.

FASE 2
Estresse

Os agregados familiares têm um consumo alimentar mínimo adequado mas não dispõem de meios para responder a algumas despesas essenciais não alimentares sem recorrer a estratégias de resposta à situação de Estresse.

FASE 3
Crise

Os agregados familiares enquadram-se numa das seguintes situações:
- Passam por faltas de consumo alimentar demonstradas por desnutrição aguda elevada ou acima do normal;
OU
- Têm uma capacidade mínima para satisfazer as necessidades alimentares, mas apenas esgotando os seus meios essenciais de subsistência ou recorrendo a estratégias de resposta a crises. 

FASE 4
Emergência

Os agregados familiares enquadram-se numa das seguintes situações:
- Passam períodos longos de falta de consumo de alimentos demonstrados por uma desnutrição aguda muito elevada e excesso de mortalidade;
OU
- Têm capacidade para minimizar os períodos de falta de consumo alimentar mas apenas por meio de estratégias de subsistência de emergência e liquidação dos bens.

FASE 5
Fome

Os agregados familiares sofrem uma falta extrema de alimentos e/ou de outras necessidades básicas, mesmo após utilizarem todas as estratégias de resposta a crises. Os níveis de inanição, morte, destituição e desnutrição aguda extremamente crítica são evidentes. (Para a Classificação de Fome, a área necessita de apresentar níveis extremamente críticos de desnutrição aguda e mortalidade.)

Pelo menos 25 por cento dos agregados familiares satisfizeram pelo menos 25 por cento das suas necessidades calóricas recorrendo a assistência alimentar humanitária.

Pelo menos 25 por cento dos agregados familiares satisfizeram pelo menos 50 por cento das suas necessidades calóricas recorrendo a assistência alimentar humanitária.

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A classificação da fase seria provavelmente uma fase mais agravada na ausência da assistência humanitária alimentar, em curso ou programada.

Mapas da FEWS NET

Para ilustrar visualmente a severidade da insegurança alimentar, a FEWS NET produz três mapas usando a escala da IPC 3.0: um mapa da situação actual e dois mapas de projecções abrangendo um período de oito meses de projecção de segurança alimentar. Todos estes mapas observam os protocolos de mapeamento de assistência alimentar humanitária da IPC Versão 3.0 e indicam as regiões em que estão a ser fornecidos/estão projectados níveis significativos de assistência humanitária. Ademais, a FEWS NET produz três mapas para o mesmo período de tempo que são compatíveis com a IPC e indicam com um (!) as áreas que estariam provavelmente, pelo menos, uma fase mais agravada na ausência dos efeitos da assistência humanitária alimentar em curso, projectada e provável. Os países monitorizados remotamente pela FEWS NET são exibidos com um contorno colorido que corresponde à fase mais elevada da área da escala da IPC naquele país.

Análise da IPC e Análise "Compatível com a IPC"

A análise da IPC é definida por cinco características principais: 1) a análise representa um consenso funcional de técnicos que representam as principais agências das partes interessadas e o conhecimento sectorial relevante; 2) os quadros de referência da IPC, contendo a especificação do nome e respectiva descrição da fase, objectivos prioritários de resposta e indicadores chave de resultados, são usados para determinar a classificação da fase; 3) a análise segue parâmetros chave de unidades de análise e considera a assistência humanitária; 4) as evidências usadas para apoiar a classificação são claramente documentadas e disponibilizadas; e 5) a análise é mapeada usando o esquema de cores da IPC e o nome da fase.

A análise compatível com a IPC conta com todas as características supra à excepção da primeira; não representa um consenso funcional de técnicos das principais agências das partes interessadas. Devido a factores como a cronologia da análise, a urgência da situação ou a necessidade de independência, algumas organizações podem optar por levar a cabo análises e classificação da situação de segurança alimentar que não façam parte ou que não estejam em concordância com um consenso funcional de técnicos representantes das partes interessadas. Nestes casos, desde que os outros principais critérios da análise IPC, acima referidos, sejam seguidos, a análise pode ser chamada de “compatível com a IPC”. A análise da FEWS NET é compatível com a IPC.

Saiba mais sobre a IPC em www.ipcinfo.org.

About FEWS NET

A Rede de Sistemas de AlertaPrecoce de Fome é líder na provisão de alertas precoces e análises relativas à insegurança alimentar. Estabelecida em 1985 com o fim de auxiliar os responsáveis pela tomada de decisões a elaborar planos para crises humanitárias, a FEWS NET provê análises baseadas em evidências em cerca de 35 países. Entre os membros implementadores refere-se a NASA , NOAA, USDA e o USGS, assim como a Chemonics International Inc. e a Kimetrica. Leia mais sobre o nosso trabalho.

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